publicado dia 05/08/2016

Para especialista, educação integral apoia formatação de políticas públicas

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“O debate da educação integral nos provoca a pensar a agenda da proteção integral, ou seja, a necessidade de se conformar uma rede de políticas públicas articuladas que faça a proteção integral de crianças e adolescentes”.

A afirmação da secretária de Estado de Educação de Minas Gerais, Macaé Evaristo, elucida algumas questões acerca da educação integral. Se por um lado a agenda pode contribuir com a formatação de políticas públicas, por outro, ainda precisa garantir que os processos educativos tenham centralidade nos sujeitos para que se apontem essas necessidades formativas.

Macaé Evaristo ao lado de Natacha Costa, diretora da Associação Cidade Escola Aprendiz. Créditos: reprodução

Macaé Evaristo ao lado de Natacha Costa, diretora da Associação Cidade Escola Aprendiz. Créditos: reprodução

A explanação marcou a participação da gestora pública no Seminário Internacional Equidade e Educação Integral no Ensino Médio realizado em agosto a partir de uma parceria entre o Centro de Referências em Educação Integral e o Instituto Unibanco.

Em diálogo com “as correrias”

Para Macaé, é fundamental que as escolas dialoguem com as “correrias das juventudes“, termo que usou para explicar as lutas contidas em diversos grupos sociais. Para ela, esse é o caminho para que as políticas educacionais possam reduzir as desigualdades sociais e promover equidade.

Saiba + É preciso considerar o adolescentes antes do aluno

“A escola precisa reafirmar o direito à identidade, o pertencimento étnico-racial, o princípio da representatividade”, colocou ao abordar as lutas da juventude negra. “Precisa promover o respeito à diversidade de gênero, garantir os direitos civis e a permanência neste espaço”, pontuou ao considerar a agenda da comunidade LGBT.

Centralidade nos sujeitos

Em seu entendimento, o desafio é pensar a reorganização da lógica escolar a partir dos sujeitos que lá estão, o que significa romper com a lógica atual estruturada. Hoje, a gente organiza as disciplinas, atribui aulas a professores para que eles iniciem o ano letivo e aí chegam os estudantes, ou seja, eles são encaixados em uma matriz já organizada”, observou.

A alternativa seria primeiro conhecer os alunos, pensar sobre o tipo de projeto ou proposta que seriam formulados e então organizar o trabalho escolar. Na educação integral, isso significa ir além do coeficiente tempo, com o aumento da jornada escolar. ‘É considerar experiências de aprendizagem que dialoguem com os percursos e os repertórios das juventudes e que sejam capazes de promover o alargamento dos saberes”, concluiu a gestora.