publicado dia 09/06/2017

Mapa fotográfico vai contar histórias das escolas do Brasil pelo olhar dos alunos

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O educador Márcio Motta sempre teve interesse em saber como crianças e adolescentes de diferentes regiões do Brasil se relacionam afetivamente com suas escolas. Quando teve a ideia de percorrer e documentar unidades de ensino do País, ele se perguntou: por que os próprios alunos não fazem o mapeamento e mostram sua visão da vida escolar?

Educador de ensino ambiental do colégio Novo Mundo, em Praia Grande, litoral de São Paulo, Márcio tem larga experiência em criar espaços para alunos se expressarem criativamente com auxílio de ferramentas digitais.

Ele foi pioneiro em sua instituição ao adicionar conteúdos gratuitos do Google no aperfeiçoamento de projetos pedagógicos: usou o Google Drive para gestão de iniciações científicas do Ensino Médio e tornou o Google Sites a ferramenta para divulgação de experiências dentro da sala de aula, diminuindo o abismo entre educador e classe.

Em 2015, deu início ao projeto Academia de Fotografia. “É o meu xodó. Alunos do ensino médio criam projetos de vida baseados em trabalhos fotográficos”, diz ele. “Os estudantes são capacitados semanalmente, desenvolvendo habilidades em artes visuais, compartilhando experiências e usando ferramentas como seus próprios celulares e aplicativos do Google”, explica o educador.

Foi essa bagagem educacional em tecnologia que fez Márcio ser eleito um dos Google Innovators, grupo de professores inovadores na área da educação.

Percebendo o sucesso entre os alunos e o potencial da iniciativa, o educador decidiu expandi-la. Nascia a ideia do “Minha Escola no Mapa”. A ideia do projeto é que alunos criem mapas personalizados com histórias e fotografias usando recursos como o Google My Maps.

Em 2013, a rede de educação latino-americana Reevo, responsável pelo documentário A Educação Proibida, lançou uma plataforma online de mapeamento e compartilhamento de experiências educativas no mundo.

O Mapeo Colectivo de la Educacion Alternativa é uma base de livre acesso que reúne iniciativas de escolas, coletivos ou pessoas comprometidas em quebrar paradigmas da educação. Ele tem categorias como “tipos de experiência”, “gestão” ou “enfoque alternativo”. Além disso, o usuário pode marcar em um mapa colaborativo sua experiência, juntando-se a outras 360 ações já catalogadas.

Iniciado em novembro de 2016, o projeto está em fase de cadastramento de professores que queiram inscrever suas escolas. O educador interessado recebe suporte para montar um projeto de fotografia, capacitar colegas, alunos e reunir o material para ser compartilhado depois.

No fim, os trabalhos das diferentes unidades de ensino serão convertidos em uma exposição e em um livro, tudo online, para que possam ser consultados por qualquer um. “Queremos que o movimento se descentralize, dependendo cada vez menos da minha orientação”, diz Márcio.

Na produção de conteúdo digital, os papéis de professor e aluno se invertem. São os adolescentes que dominam o uso de celulares e outros dispositivos, ensinando os educadores a explorar os recursos dos aparelhos.

Em contrapartida, os professores se transformam em mentores: incentivando processos criativos e caminhos com os quais os jovens se identifiquem.

Um dos resultados do projeto é dar novo significado ao celular dentro da sala de aula: em vez de inimigo, que tira a atenção do estudante, ele passa a funcionar como catalisador da criatividade de cada aluno.

Na escola de Márcio, o projeto Academia de Fotografia vai para seu terceiro ano e já tem mais sete grupos interessados. “Não consigo nem imaginar como vai ser bacana quando o Minha Escola no Mapa começar a funcionar em outras instituições. Precisamos urgentemente mostrar para os professores de todo o Brasil que o aluno pode ser o protagonista do ambiente escolar. Temos que deixá-los contar sua história”, defende o educador.

Os interessados em participar do projeto Minha Escola no Mapa podem entrar em contato com o professor pelo e-mail marciomottabio@gmail.com

*Matéria originalmente publicada pela Fundação Telefônica Vivo

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