publicado dia 15/05/2018

Livro digital reúne práticas pedagógicas inovadoras das escolas NAVE

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Já é sabido que a escola precisa se adaptar às transformações do século XXI. O problema reside, quase sempre, em como fazer isso. As escolas de Ensino Médio do NAVE – Núcleo Avançado em Educação, que se dedicam a essa questão há dez anos, descobriram alguns caminhos, agora sistematizados em um guia de práticas pedagógicas inovadoras, o e-Nave, lançado nesta segunda-feira 14.

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Como funciona o NAVE?

O NAVE é fruto de uma parceria entre a Oi Futuro e as secretarias do estado de Educação, para a cogestão de escolas públicas de Ensino Médio em tempo integral. Na parte da manhã, os alunos têm o ensino regular. Na parte da tarde, o ensino técnico voltado para: programação de jogos digitais; roteiro para mídias digitais ou multimídia. O objetivo é que a escola funcione como uma incubadora de práticas pedagógicas inovadoras.

NAVE é um programa de Ensino Médio integrado profissionalizante desenvolvido pela Oi Futuro em escolas públicas do Rio de Janeiro e Recife em parceria com as secretarias estaduais de educação. “Essas escolas são um grande laboratório de experimentação e criatividade, que já ofereceu formação técnica e humana para mais de dois mil jovens”, disse Sara Crosman, diretora da Oi Futuro, durante o evento de lançamento do livro digital gratuito.

As 40 práticas pedagógicas reunidas no  e-NAVE foram desenvolvidas no chão da escola, por professores e alunos, com o intuito de colocar em prática uma educação mais contextualizada. Nesta perspectiva, dialogam também com os desafios que muitas outras escolas enfrentam. Traduzidas para serem facilmente replicáveis, as práticas, em sua grande maioria, não requererem muitos recursos para acontecer.

“Vamos levar as experiências do NAVE para outras escolas do interior e para outros estados de acordo com a realidade de cada uma delas”, endossou Wagner Victer, secretário de Educação do Estado do Rio de Janeiro.

Uma das práticas que pode ser facilmente replicada consiste em utilizar rótulos de alimentos que os alunos consomem no cotidiano para discutir Biologia Molecular, Bioquímica e Física.  “Mostrei para os alunos que tudo aquilo que parecia muito difícil, na verdade, está no nosso dia a dia”, contou a professora de Biologia, Andrea Piratininga.

Jovem de 17 anos fala sobre sua experiência na escola

Robert, 17 anos, divide sua experiência com as práticas pedagógicas do NAVE

Crédito: Cristina Lacerda

Para Robert da Silva Oliveira, aluno do 3º ano, a didática funcionou. “Foi muito além da sala de aula, comecei a ler os rótulos com os meus pais, e mudei alguns hábitos alimentares”, contou.

Este ano concluindo o Ensino Médio, Robert será o primeiro de sua família a obter um diploma, como muitos de seus colegas.

“Vários de nossos jovens que estão na escola são filhos de pais que mal concluíram o Ensino Fundamental e netos de avós analfabetos. Essa capacidade de transformação é a beleza da educação”, disse Fred Amancio, secretário de Educação do Estado de Pernambuco.

As transformações no mundo e nas escolas

Segundo Anna Penido, diretora do Instituto Inspirare, as escolas ainda enfrentam dificuldades para se adaptar às rápidas transformações do novo século devido às precariedades de infraestrutura, falta de investimento, incerteza do que seria essa nova educação e a desvalorização da carreira docente.

“A minha maior admiração é ver estes professores se reinventando, porque agora eles têm que quebrar com tudo aquilo que viveram, com o modelo de escola que estudaram, de graduação e de formações continuadas que experimentaram”, contou Anna.

A experiência do NAVE mostra que a força para provocar estas transformações está em entender o aluno como um cúmplice na construção da escola. “A única coisa que tem do século XXI na escola são os jovens”, disse a gestora do Inspirare.

Pilar Lacerda e Anna Penido dividem o palco de debate sobre educação, inovação e tecnologia

Pilar Lacerda e Anna Penido debateram a necessidade de uma escola inovadora e como ela seria.

Crédito: Cristina Lacerda

Uma das práticas desenvolvidas no NAVE diz respeito justamente a isso: planejar as aulas juntos.

Todo começo de bimestre, a professora de roteiro Sarah Nery reúne a turma para discutir os conteúdos que serão trabalhados, a metodologia e o processo de avaliação. Os alunos fazem observações, modificações e adaptam o bimestre de acordo com seus interesses e tempos de aprendizagem.

Para Pilar Lacerda, diretora da Fundação SM, entre os méritos das práticas reunidas pelo e-NAVE está aquele de colocar em diálogo os saberes escolares e a vida real. “As práticas não “brigam” com esta geração de jovens e, ao mesmo tempo, fortalecem e respeitam o professor. Ambos estão pensando juntos nas possibilidades de caminhos da escola”, concluiu.

Como funciona o e-NAVE

O e-NAVE, livro digital de práticas pedagógicas inovadoras está disponível gratuitamente no site da Oi Futuro e no site do Ministério da Educação. Todas as atividades podem ser reproduzidas ou adaptadas livremente pelas escolas.

Com quase 300 páginas, o livro é dividido em cinco capítulos. Todas as práticas trazem instruções detalhadas de como desenvolvê-las e quais competências são desenvolvidas por meio delas.

O desafio de educar para um futuro digital e mutável