publicado dia 12/01/2015

Jornalista relata impactos do machismo na escola

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Em 2000, aos 14 anos, Fernanda conseguiu passar no vestibulinho e ser admitida no curso técnico em Eletrônica no Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo. Interessada por tecnologia desde criança, ela já dominava a linguagem de sites e sabia consertar computadores.

Apesar dos ventos favoráveis ao seu desenvolvimento, a garota se deparou com um obstáculo que a fez desviar dos seus interesses iniciais: o machismo. Em uma sala de 40 alunos, eram apenas sete garotas – número expressivamente alto, em comparação a anos anteriores. O grupo logo se tornou alvo de discriminação. Uma delas vinha em forma dos gritos “vai pro tanque! vai lavar roupa! volta pra cozinha!” sempre que alguma garota realizava alguma questão ao professor.

Como fruto dessa discriminação, criou-se um ambiente em que garotas não se sentiam à vontade para participar. Assim, as poucas alunas da turma não desfrutaram de um tratamento igualitário, nem de iguais oportunidades de aprendizagem. Para Fernanda Campagnucci, que hoje é jornalista e mestre em Sociologia da Educação pela USP, a consequência das recorrentes discriminações é evidente. “Hoje tenho mais clareza de que a vivência daqueles três anos foi decisiva para me afastar do universo da tecnologia”, afirma em relato publicado no seu blog Educação Aberta.

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Apesar disso, Fernanda relata que hoje se reaproxima da tecnologia e talvez isto se dê devido à formação que recebeu em casa. “Meus pais sempre ensinaram que a melhor coisa que poderia acontecer a uma mulher é… a mesma que a um homem: buscar conhecimento e ser autônoma, financeira e emocionalmente.”

Confira a íntegra do relato: Memórias de um ensino médio técnico e machista: “voltem pra cozinha, vão lavar roupa!”

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