publicado dia 15/06/2016

Estudo mostra perfil dos jovens que optam por estudar à noite

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Segundo dados do Censo Escolar 2013, o Brasil contabiliza atualmente 8,3 milhões de matrículas no Ensino Médio. Desse total, 33 %, ou o equivalente a 2,3 milhões de jovens se encontra no período noturno da rede pública.

A análise dos dados pautou uma pesquisa realizada pelo Instituto Unibanco que tinha por objetivo conhecer mais sobre o perfil desses estudantes. Entre algumas constatações, uma delas contraria o senso comum ao apontar que 40% desses jovens ainda não trabalham.

Segundo o superintendente executivo do Instituto Unibanco, Ricardo Henriques, isso se deve, em grande parte, à falta de estrutura das redes de ensino para atender no período diurno à demanda de vagas no Ensino Médio.

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A pesquisa também evidenciou, a partir do perfil dos alunos, que há uma forte relação entre frequentar o período noturno e o menor nível socioeconômico, sendo mais recorrentes nesse turno estudantes cujas mães nunca estudaram ou que sequer completaram os anos iniciais do Ensino Fundamental.

Há também predominância de estudantes mais velhos: metade dos matriculados nesse período tem entre 18 e 21 anos; enquanto no diurno a maioria (56,4%) tem menos de 17 anos; com alto índice de defasagem idade-série (53%) e com percentual de abandono escolar (17%), o que significa que os jovens já deixaram a escola pelo menos uma vez.

O estudo compõe uma crítica à etapa da Educação Básica que, embora tenha um papel fundamental de assegurar o direito à educação para os estudantes que trabalham ou que não podem frequentar as aulas no período diurno, vem se consolidando, de modo geral, como um ensino de baixa qualidade.

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“Estamos falando de 2,3 milhões de jovens no ensino noturno. São necessárias políticas públicas que permitam que eles concluam o Ensino Médio com sucesso, ou seja, que terminem esta etapa no tempo certo, aprendendo o que devem aprender, assim como os estudantes do diurno. Estes estudantes do noturno apresentam mais vulnerabilidades, vêm de famílias mais pobres, com menos repertório educacional, apresentam mais defasagem de aprendizagem e histórico de repetências. Quanto mais vulnerável o perfil, mais atenção é necessária para garantirmos a aprendizagem do estudante”, afirma Ricardo Henriques.

O superintendente também reforçou: “Precisamos apoiar o esforço destes jovens para obter o diploma de educação básica e, assim, viabilizar uma entrada mais qualificada no curso superior, se desejarem. A escola deve apoiar estes jovens na realização de seus projetos de vida”.

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