publicado dia 10/12/2015

Estudantes paulistas reúnem milhares de manifestantes nas ruas de SP e sofrem repressão

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Por Caio Zinet e Ana Basílio

Manifestantes na rua, polícia militar reprimindo. A cena, comum nas ruas de São Paulo, foi novamente assistida na noite de ontem (09/12). Estudantes secundaristas em luta contra o fechamento de escolas estaduais foram as vítimas da vez, em uma perseguição que durou cerca de 1 hora nos arredores da Praça da República, região central da capital.

A repressão ocorreu após um ato convocado pelos estudantes, às 17 horas no Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (Masp). Cerca de 10 mil manifestantes – incluindo muitas crianças, pais e mães – saíram em direção Avenida Nove de Julho, passaram pelo terminal Bandeira e depois de quatro horas de caminhada chegaram à Secretaria Estadual de Educação de São Paulo, lugar onde a repressão atingiu o ponto alto.

Um grupo de policiais que cercava a Secretaria usou bombas de gás lacrimogêneo contra os manifestantes. Mesmo após a dispersão, continuaram a perseguição pelas ruas do Centro por cerca de uma hora. Estudantes que fugiam foram perseguidos na Rua da Consolação, no Vale do Anhangabaú e no Viaduto 9 de julho, segundo relatos colhidos pela reportagem do Centro de Referências em Educação Integral.

O Teatro de Arena Eugênio Kusnet, na Rua Teodoro Baima, foi invadido por policiais militares de acordo com relatos publicados em redes sociais. Em um deles, Eugênio Lima do Núcleo Bartolomeu de Depoimentos, afirmou que dava uma aula pública dentro do teatro quando policiais militares, em motos, entraram e espancaram três jovens dentro do hall.

“Eu vi um policial com a motocicleta empurrar um jovem desarmado, sem camisa, em cima das grades do banco, em frente ao teatro. Depois, quatro motos invadiram o hall e os policias arrancaram os dois jovens que estavam procurando abrigo dentro da bilheteria e espancaram um deles com socos. Quando viram que estávamos observando, saíram em disparada. Ninguém deu ordem de prisão, nem fez qualquer menção de levar os jovens para delegacia. Foi uma agressão pura, brutal e feita de maneira covarde”, afirmou Eugênio.

“O garoto que não conseguiu fugir estava muito machucado e sangrava muito. Apareceram enfermeiros, que cuidaram dos ferimentos, [e também] advogados, ativistas e depois a imprensa, que foi informada por nós”, completou.

Segundo publicação da página do grupo Mal Educado, ao menos dez pessoas foram presas e muitos saíram feridos após a ação da Polícia Militar. “Logo após ir à TV e propor um ‘diálogo’ para 2016, Alckmin retoma sua ‘guerra’ contra os alunos?”, questiona um dos movimentos que lidera as manifestações contra o processo de reorganização escolar.

Protestos

A onda mobilizações teve início assim que a Secretaria Estadual de Educação anunciou o plano de reorganização que pretendia remanejar estudantes para escolas de ciclo único, acarretando o fechamento de 92 unidades da rede estadual e na transferência de 311 mil alunos. Após 25 dias de ocupações e vendo sua popularidade despencar, o governador Geraldo Alckmin anunciou o adiamento da reorganização para 2016.

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Apesar do recuo, os estudantes mantém cerca de 200 escolas ocupadas porque querem o compromisso do governo de que a reorganização não acontecerá em 2016 e pedem que se estabeleça uma negociação, por meio de audiências públicas, com o objetivo de melhorar a qualidade do ensino público no estado.

Além disso, os jovens também querem a punição dos policiais militares e outros agentes de do Estado envolvidos em agressões e assédio moral contra os estudantes durante as ocupações, além da garantia de que ninguém que participou das mobilizações sofrerá punição.

Em São Paulo, ocupações de escolas se fortalecem com o apoio da comunidade