publicado dia 08/05/2017

“O debate ideológico precisa estar separado da escola”, diz ministro Mendonça Filho

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Em discurso feito nesta segunda-feira (08/05) para o lançamento do 10° Prêmio Professores do Brasil, no Instituto Singularidades, em São Paulo, o ministro da Educação, Mendonça Filho, defendeu a reforma do Ensino Médio e a necessidade de existir ‘’o mínimo de consenso político” nos temas que dizem respeito à educação.

“Tomamos essa decisão em convergência com o interesse da maioria da população brasileira que precisa de uma educação pública de qualidade. O Brasil só poderá dar um salto de qualidade se as forças políticas do País, independentemente da posição partidária, se unirem em torno dos consensos básicos da Educação. O debate ideológico vai sempre existir no cenário nacional, mas precisa estar separado do espaço da escola”, expôs.

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Ainda justificando o novo currículo da etapa, o ministro evocou o baixo desempenho brasileiro em avaliações internacionais como o Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (PISA), mais importante exame educacional do mundo, elaborado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Entre as 72 nações analisadas, o relatório mostrou o País na 63ª posição em ciências, na 59ª em leitura e na 66ª colocação em matemática. “É inegável que existiram avanços em termos de acesso, da chamada universalização do ensino, mas estamos muito distantes daquilo que seria razoável para a 8ª maior economia do mundo. Quando acompanho o PISA ou recebo relatórios mostrando que o Ensino Médio brasileiro tem um desempenho em português e matemática pior que há 20 anos, tenho convicção que o caminho é o novíssimo e isso exige o mínimo de unidade”, defendeu.

“O debate ideológico vai sempre existir no cenário nacional, mas precisa estar separado do espaço da escola”

Outro assunto abordado pelo encarregado do Ministério da Educação (MEC) foi a antecipação do repasse do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb) para estados e municípios para o cumprimento do piso nacional salarial dos professores. Segundo a legislação, a União deve complementar as verbas dos entes federativos que não tenham condições de arcar com os custos do pagamento do piso.“Não fazia sentido, de um lado, exigir o cumprimento do piso e, de outra parte, a responsabilidade da União em termos de repasse só ocorrer quatro meses depois do exercício fiscal. Então, a partir de dezembro de 2016, nós honramos integralmente a complementação do piso para estados e municípios e, em 2017, instauramos o repasse mensal buscando o cumprimento dessa obrigação legal”.

Apesar de admitir que o piso é ainda “muito pouco”, Mendonça Filho alegou que a discussão educacional não pode ater-se somente a remuneração. “Sei que isso é importante para motivar o profissional, mas não só. A motivação exige reconhecimento, carinho, atenção, respeito, espírito de pluralidade e a ausência de julgamentos sumários. Quantas vezes eu fui julgado sem sequer me conhecerem, espalhando-se inverdades nas redes sociais, como se o duelo fosse entre equipes. Jamais serei capaz de transformar a educação brasileira da noite para o dia, mas se cada um fizer a sua parte tenho certeza que contribuirá para que o Brasil seja um país diferente”, finalizou. 

Prêmio Professores do Brasil

Em sua 10ª edição, o Prêmio Professores do Brasil busca reconhecer e valorizar o trabalho dos professores de escolas públicas de Educação Básica que contribuem para a melhoria dos processos de ensino e aprendizagem. “A proposta é colocar luz sobre as boas práticas em educação que temos Brasil afora, incentivando e premiando os professores que desenvolvem experiências criativas e bem-sucedidas”, explica o secretário de Educação Básica do Ministério da Educação (SEB-MEC), Rossieli Soares da Silva, que também esteve presente no evento.

A iniciativa premiará em 6 categorias: creche, pré-escola, ciclo de alfabetização (1º, 2º e 3º anos), 4º e 5º anos, 6º ao 9º ano e Ensino Médio. Nesta edição, haverá também premiação em temáticas especiais como esportes e uso consciente da água. As inscrições estão abertas e vão até 25/08/2017.

Segundo MEC, 3ª versão da Base foca na educação integral dos estudantes