publicado dia 15/01/2016

Belo Horizonte: após ocupação, governo desiste de dividir escola com Colégio Militar

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A Secretaria Estadual de Educação de Minas Gerais (SEE) assinou um documento garantindo que a Escola Ricardo Estadual Professor Ricardo de Souza Cruz não será transformada e nem precisará dividir espaço com uma unidade do Colégio Militar Tiradentes. Com a decisão, os estudantes decidiram sair da escola que estava ocupada contra a militarização da educação desde o dia 5 de janeiro.

“Hoje (14/1), às 19 horas, a SEE assinou um documento garantindo a permanência da escola. Somos gratos a todos que acompanharam a ocupação e ajudaram. Amanhã (15/1) iremos desocupar a escola à tarde, com muita alegria de mais uma vitória, mais uma guerra ganha”, afirmaram os estudantes na página criada nas redes sociais para divulgar a luta.

Os estudantes ocuparam o prédio diante da notícia postada em dezembro no blog do Deputado Estadual Cabo Júlio (PMDB-MG) em que ele garantia ter conversado com o governador do estado, Fernando Pimentel (PT-MG), para que a unidade se tornasse um unidade do Colégio Militar Tiradentes.

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“Na semana passada, eu disse na solenidade em Montes Claros pessoalmente ao Governador Fernando Pimentel que as unidades atuais do CTPM (Colégio Tiradentes da Polícia Militar) em Belo Horizonte não comportam a demanda e que era preciso aumentar o número de vagas para os filhos de militares. Ele me perguntou qual solução poderia ser dada ainda este ano. A unidade caiçara foi a solução para atender, já em fevereiro, os filhos dos militares”, afirmou Cabo Júlio em seu blog.

Procurada durante a ocupação pela reportagem do Centro de Referências em Educação Integral, a SEE havia confirmado que estudava a possibilidade de dividir o espaço com o Colégio Tiradentes. “A Secretaria de Educação de Minas Gerais confirma que está estudando a possibilidade de coabitação no espaço da escola com uma unidade do Colégio Tiradentes da Polícia Militar.

Dessa forma, o funcionamento da Escola Estadual Professor Ricardo de Souza Cruz ficaria concentrado nos turnos da manhã e da noite, atendendo as séries iniciais do ensino fundamental, ensino médio e Educação de Jovens e Adultos (EJA), e as dependências do prédio passariam a ser utilizadas no turno da tarde pelo Colégio Tiradentes”, afirmou a secretaria em nota enviada de 6 de janeiro.

Os estudantes alegavam que a escola era um espaço tradicional da comunidade, que existe há pelo menos 50 anos. Segundo eles, o preenchimento de vagas em colégios militares atende prioritariamente filhos de policiais militares e de bombeiros.

Dessa forma, caso a escola fosse transformada total ou parcialmente em Colégio Militar, os estudantes da região seriam obrigados a buscar outras instituições.

Estudantes ocupados realizaram uma série da atividades.

Estudantes ocupados realizaram uma série da atividades.

Assim como os estudantes que ocuparam as escolas em São Paulo, os mineiros promoveram atividades culturais, oficinas de cartazes, capoeira, batalhas de MC’s, cineclubes e cozinhavam sua própria comida a partir de doações feitas pela comunidade.

 

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