publicado dia 19/12/2017

8 obras da literatura indígena brasileira para crianças e jovens

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Apresentar, desde a primeira infância, o vasto e rico universo cultural dos povos indígenas do Brasil e as especificidades de sua produção literária é um caminho importante para despertar entre crianças e jovens reflexões sobre as identidades indígenas construídas por índios e não índios ao longo de séculos e, desta maneira, romper estereótipos.

A pedido do Centro de Referências em Educação Integral, a especialista em Literatura Indígena, Janice Thiél, autora de Pele Silenciosa, Pele Sonora: A literatura indígena em destaque (Ed. Autêntica, 2012), selecionou as seguintes obras da literatura indígena brasileira para leitura e discussão nas escolas:

1. Das crianças Ikpeng para o mundo. Marangmotxíngmo mirang: um dia na aldeia Ikpeng.

A partir do filme de Natuyu Yuwipó Txicão, Karané e Kumaré Ikpeng
De Rita Carelli (adaptação e ilustrações)
São Paulo: Cosac Naify, 2014. (Coleção Um Dia na Aldeia)

Nessa obra, as crianças Ikpeng guiam o leitor para que experimente 24 horas em sua aldeia, no Mato Grosso. O filme – feito pelas crianças Ikpeng -, bem como o livro (em edição bilíngue) são ideais para apresentar a cultura do povo Ikpeng para crianças de todas as culturas.

2. Olho d’água: o caminho dos sonhos

De Roni Wasiry Guará
Belo Horizonte: Autêntica Editora, 2012

Vencedora do 8º Concurso Tamoios de Textos de Escritores Indígenas, essa obra narra tradições e diferentes tempos vividos pelo povo Maraguá, do Amazonas. Por meio de um texto poético, o narrador permite que conheçamos um pouco dos anseios, das decepções e esperanças de seu povo, que teve a vida afetada pelo contato com o não-índio.

3. Awyató-pót: histórias indígenas para crianças.

De Tiago Hakity
São Paulo: Paulinas, 2011 (Coleção o universo indígena. Série raízes)

As narrativas dessa obra apresentam a trajetória de vida e as aventuras de Awyató-pót, guerreiro valente do povo Mawé, do Amazonas. O texto possibilita o conhecimento de histórias relacionadas a mitos de origem e à construção de um personagem que procura defender seu povo e promover a continuidade de sua cultura.

4. As fabulosas fábulas de Iauaretê

De Kaká Werá Jecupé. Ilustrações de Sawara
São Paulo: Peirópolis, 2007

Essas fábulas sobre a onça-rei Iauaretê foram narradas oralmente por Kaká Jecupé à sua filha, Sawara, e ambos colaboraram para selecionar os textos que compõem o livro, ilustrado por Sawara. A obra inclui histórias divertidas e relacionadas a temas relevantes, como vida, morte, coragem e paz.

5. Irakisu: o menino criador.

De Renê Kithãulu. Ilustrações do autor e das crianças Nambikwara
São Paulo: Peirópolis, 2002. (Coleção memórias ancestrais: povo Nambikwara)

Esse livro, o primeiro feito pelos Nambikwara, que moram no Mato Grosso e em Rondônia, apresenta narrativas de origem e tradições desse povo. O texto destaca as diferenças culturais e linguísticas dos povos indígenas e valoriza as identidades construídas pela voz de cada povo nativo.

6. Coisas de índio: versão infantil

De Daniel Munduruku
São Paulo: Callis, 2003

Essa obra descreve o dia-a-dia, visões de mundo, aspectos culturais, sociais e políticos dos povos indígenas em uma linguagem acessível e clara. O autor discute o que significa ser índio e destaca a importância de se valorizar as diferenças étnicas, culturais, sociais e linguísticas dos povos nativos brasileiros.

7. As serpentes que roubaram a noite e outros mitos.

De Daniel Munduruku. Ilustrações das crianças Munduruku da aldeia Katõ.
São Paulo: Peirópolis, 2001. (Coleção memórias ancestrais: povo Munduruku)

Esse texto inclui mitos de origem narrados por anciãos do povo Munduruku. As histórias promovem o aprendizado sobre sua cultura e representam a memória e o sentido da vida para esse povo. Aspectos culturais, literários, sociais e linguísticos dos Munduruku são apresentados para que o leitor conheça um pouco mais sobre a vida na aldeia.

8. A palavra do grande chefe: uma adaptação livre, poética e ilustrada do discurso do Chefe Seattle.

De Daniel Munduruku e Mauricio Negro (adaptação).
São Paulo: Global, 2008.

Essa obra é uma adaptação do discurso vinculado ao Chefe Seattle, indígena norte-americano, e apresenta uma visão crítica sobre o modo de o Chefe perceber como a terra tem sido tratada pelo não-índio. O texto promove a defesa do meio ambiente e de todos os seres que habitam a terra, e alerta para a necessidade de se desenvolver consciência e atitudes de proteção da vida.

Sugiro que, para trabalhar com essas obras, o professor elabore atividades para as etapas de pré-leitura, durante a leitura e pós-leitura.

Na etapa de pré-leitura, é importante realizar a contextualização das obras. Os alunos podem realizar pesquisas sobre os povos indígenas, discutir o título da obra e os elementos visuais da capa para inferir os temas das histórias.

Durante a leitura, os alunos podem ser orientados a observar a relação entre as histórias narradas e as ilustrações, além de comparar as informações sobre os povos indígenas com aquelas apresentadas em livros de história e livros didáticos, a fim de desconstruir visões de mundo eurocêntricas e estereótipos.

Na etapa de pós-leitura, os alunos podem preparar projetos, com base em temas e discussões realizadas em grupos, e apresentá-los por meio de ilustrações, pôsteres, apresentações musicais e dramatizações.

Janice Cristine Thiél é especialista em literaturas indígenas brasileiras, doutora pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), professora titular de Letras da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR) e autora do “Pele Silenciosa, Pele Sonora: A literatura indígena em destaque”, publicado pela Autêntica.

Como trabalhar mitos indígenas em sala de aula?