publicado dia 11/09/2014

10 filmes que apoiam escolas a discutir alteridade

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Treze anos depois, o 11 de setembro ainda é um marco em nossa história. A série de ataques nos Estados Unidos fez com que parte da população mundial apresentasse intolerância e preconceito contra a comunidades árabes e islâmica, que passaram a ter suas identidades e valores negados em várias partes do globo. Esse discurso foi intensamente propagado por grandes veículos de comunicação, associando práticas extremistas a determinadas etnias, povos e religião.

O senso comum criado em torno da questão revela a incapacidade de reconhecimento do Outro, com suas diferentes dimensões, costumes e características, impedindo o estabelecimento de uma cultura de paz, que pressupõe a convivência da multiculturalidade, e a preservação dos direitos de cada indivíduo e população.

Saiba +: Eu e o Outro: o perigo da história única 

Fundamental para estimular que crianças e adolescentes se tornem adultos tolerantes, capazes de valorizar a diversidade e impedir que pessoas sejam estigmatizadas por suas características, a escola deve atuar como um espaço de debate para que os estudantes possam refletir sobre suas próprias identidades e descobrir a igualdade que existe na diversidade.

Para refletir sobre a importância da alteridade, o Centro de Referências em Educação Integral listou dez filmes que podem ser trabalhados no programa pedagógico das instituições educativas para diferentes faixas etárias e na formação de educadores. Confira!

1. Um conto chinês (Sebastián Borensztein, 2011)

Em Buenos Aires um dono de uma loja de material de construção cheio de manias e esquisitices, solitário e ranzinza acaba, sem querer, se tornando responsável por um imigrante chinês que não fala uma palavra de espanhol. Juntos, os dois desenvolvem uma estranha, mas sensível amizade a partir da difícil convivência diária.

2. O menino do pijama listrado (Mark Herman, 2008)

Bruno tem nove anos e não sabe nada sobre a 2ª Guerra Mundial e a ideologia nazista; também não faz ideia de que sua família está envolvida no conflito. Sozinho e sem amigos pra brincar, o garoto avista um campo cercado, cheio de pessoas, como ele descrevia, usando pijamas listrados. É lá que Bruno conhece Shmuel, garoto judeu com o qual estabelece uma amizade que o leva ao encontro de uma dura realidade.

3. Entre os muros da escola (Laurent Cantet, 2008)

François Marin  atua como professor de língua francesa em uma escola de ensino médio na periferia de Paris, composta por estudantes de diversos países da África, do Oriente Médio e da Ásia. Sem reconhecer a identidade e a cultura dos estudantes, o docente insiste em ensinar pelo método tradicional, impedindo o diálogo e o efetivo aprendizado do seu grupo.

4. Lemmon tree (Eran Riklis, 2008)

Uma viúva palestina tem sua plantação de limões ameaçada quando o ministro de defesa de Israel se torna seu vizinho, sob a alegação de que os limoeiros impediam clara visibilidade do terreno. Ao passo que luta pela manutenção das árvores, ela desenvolve uma relação de empatia com a esposa do ministro que se solidariza com sua causa. De forma leve, o filme humaniza o conflito israelo-palestino e questiona a ideia “Do inimigo”.

5. Um filme falado (Manuel de Oliveira, 2003)

Em uma viagem de navio, personagens de diferentes nacionalidades europeias e um norte-americano discutem, cada um em seu idioma, suas convicções políticas, sonhos, realidades e cotidianos, criando uma verdadeira Babel em alto-mar. Aos poucos, diferenças e semelhanças aparecem, e relações ora são de respeito, ora de intolerância.

6. O pequeno Buddha (Bernardo Bertolucci, 1993)

Um garoto de Seatle (EUA) é chamado ao Tibet por supostamente ser uma possível reencarnação do deus Buddha. Seus pais, embora concordem a possibilidade da visita ao país oriental, ficam apreensivos e são convidados a repensar não apenas suas raízes e crenças religiosas, mas as expectativas que tinham em relação ao filho.

7. X-men: o filme (Bryan Singer, 2000)

Baseado na série de quadrinhos da Marvel, em uma Nova Iorque do futuro, um grupo de pessoas se reúne a partir de suas incríveis habilidades e características, que representam uma evolução da raça humana. Embora desejem pertencer à humanidade como um todo, são rejeitados por suas diferenças, considerados ameaças à sociedade e acabam vivendo em um cenário separado das demais pessoas. O filme parte da oposição de heroísmo e vilania para discutir visões sobre as diferenças entre as pessoas.

8. O último Samurai (Edward Zwick, 2003)

Em história que se passa no Japão do século XIX, militar norte-americano é aprisionado por um grupo de guerreiros samurais e com ele revê sua vida, princípios, escolhas e origem, se aproximando da cultura que ele então condenava.

9. O homem que virou suco (João Batista de Andrade, 1981)

Recém chegado em São Paulo, Deraldo, um poeta nordestino, é confundido com um operário que matou o patrão. Resistindo à condenação, o homem luta para provar sua inocência. Assim como outros nordestinos, ele se sente massacrado pela cidade grande e os preconceitos que nela existem, buscando “não ser triturado e virar suco”.

10. Persepólis (Marjane Satrapi e Vicent Paronnaud, 2007)

Baseado na autobiografia em quadrinhos de Marjane Sartapri, a animação conta a história de uma garota iraniana que imigra para a França para continuar seus estudos e deixar o país que está sob o regime do Aiatolá Khomeini. Na Europa, a menina sofre inúmeras dificuldades de adptação e com o preconceito das pessoas. Contudo, na volta ao Irã, Marjane também não mais se encontra, vivendo em uma espécie de limbo entre as duas culturas.

Colaborou Juliana Sada

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