Autismo e escola: os desafios e a necessidade da inclusão

Por Ana Basílio e Jéssica Moreira

A busca da jornalista Janine Saponara por uma escola ao seu filho, André, 16, não foi das mais fáceis. Tudo esbarrava na questão da aceitação do garoto autista que, até os 11 anos de idade, estudou em uma escola privada tradicional de São Paulo. “Já vinha sendo notificada do seu comportamento diferente nas atividades e depois que tive certeza do diagnóstico de autismo, ouvi da instituição que eles não estavam prontos para incluí-lo”, relembra a mãe.

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Em meio à procura, Janine esbarrou em outras negativas, mas insistiu para que o garoto fosse aceito em uma instituição de ensino regular. Foi o que aconteceu na Escola da Vila, que teve como estratégia de inclusão não contar aos professores sobre o autismo do estudante recém chegado. “De início, rejeitei a ideia, porque contar sobre o autismo me deixaria mais tranquila. Até que em uma reunião, me explicaram que quando você rotula, as pessoas não vão espontaneamente ajudar a romper as barreiras; ao passo que, quando não se sabe, há curiosidade para essa conquista”.

Legislação
O ingresso de uma criança autista em escola regular é um direito garantido por lei, como aponta o capítulo V da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), que trata sobre a Educação Especial. A redação diz que ela deve visar a efetiva integração do estudante à vida em sociedade. Além da LDB, a Constituição Federal, a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, Estatuto da Criança e do Adolescente e o Plano Viver sem Limites (Decreto 7.612/11) também asseguram o acesso à escola regular.

O acesso, portanto, é apenas uma das etapas na visão do presidente da Associação Brasileira para Ação dos Direitos das Pessoas com Autismo (Abraça), Alexandre Mapurunga. “A inclusão começa com a chegada desse aluno à escola, mas é preciso também garantir sua permanência e aprendizagem”, avalia. O especialista reforça que as instituições não podem negar a matrícula desses alunos nem exigir qualquer tipo de laudo médico.

É preciso capacitar

Para Maria Teresa Mantoan, professora da Universidade de Campinas (Unicamp) especialista em inclusão, o cenário educacional brasileiro atual tem como mote principal o acesso, permanência e sucesso de toda criança na escola regular. A educadora afirma que a situação se concretiza como desafio, posto que a escola atual não é feita para todos.

“Até agora, os sistemas de ensino têm lidado com a questão por meio de medidas facilitadoras, como cuidadores, professoras de reforço e salas de aceleração, que não resolvem, muito menos atendem o desafio da inclusão. Pois qualificar uma escola para receber todas as crianças implica medidas de outra natureza, que visam reestruturar o ensino e suas práticas usuais e excludentes. Na inclusão, não é a criança que se adapta à escola, mas a escola que para recebê-la deve se transformar”, aponta.

Como muitas vezes as equipes gestoras não estão preparadas para desenvolver um plano pedagógico com as crianças autistas, é comum que elas sejam acompanhadas por um orientador terapêutico o que, na visão da coordenadora da ONG Autismo e Realidade, Joana Portolese, é um erro. “Não se deve promover a substituição. Quando se entende que um profissional desse é necessário na escola, o trabalho deve ser complementar, sem que isso diminua a responsabilidade do professor”, avalia. Para Joana, não há ganhos ao individualizar a criança autista porque nem se considera como ela se desenvolve diante de um grupo.

Por isso, mais do que a aprendizagem em si, é preciso se ater à qualidade de ensino oferecida. “É necessário um plano de ensino que respeite a capacidade de cada aluno e que proponha atividades diversificadas para todos e considere o conhecimento que cada aluno traz para a escola”, sugere Maria Teresa. A educadora aponta que é fundamental se afastar de modelos de avaliação escolar “que se baseiam em respostas pré-definidas ou que vinculam o saber às boas notas”, critica.

Acesse materiais de apoio para a escola, da ONG Autismo e Realidade.

No caso do autista, o que está em jogo são as habilidades. “É nelas que se deve investir” para, assim, desenvolver as inabilidades, afirma Joana Portolese.  Isso reafirma a necessidade de não se esperar um comportamento dado, ao que a maioria dos indivíduos do espectro autista não corresponde.

Quando a inclusão acontece

Exemplo disso é o estudante André, que pode demonstrar suas habilidades. Enquanto as crianças realizam anotações comuns, ele faz fluxogramas sobre o conteúdo escolar, o que vem sendo utilizado por seus colegas, que tiram fotocópia do material para estudar para provas.

Se no início, a escola havia resolvido não contar sobre o autismo do menino, na 6ª série o próprio estudante, em uma apresentação, socializou com os colegas que ele tinha a síndrome de Asperger (uma das variações do autismo) e suas características, aproximando-o dos demais estudantes. Segundo a professora Maria Teresa, “ter síndrome de Aspenger não define quem é o estudante como pessoa, já que o estudante é muito mais do que essa síndrome”, destaca.

O respeito foi construído em inúmeros outros episódios, como quando André decidiu realizar uma atividade debaixo da carteira escolar. Em vez de puni-lo, a educadora resolveu socializar para toda a turma o modo diferente como o aluno aprendia e, nesse dia, todos os alunos estudaram debaixo da mesa.

Para Janine, que vive a escola de perto com o filho, é preciso sempre explorar a variedade, interpretando o novo como positivo. Ela mesmo costumava propôr alternativas às escolas que não trabalhavam a inclusão. “Na outra escola, na hora do futebol, me diziam que o André se escondia debaixo do banco do vestiário. Até que eu mostrei aos professores que ele poderia ajudar na estratégia do jogo, em vez de jogar. Ele pegava uma caneta e pensava como o time iria fazer o gol”.

Incluir é possível

O educador Severino da Silva, mais conhecido como Billy, viveu rica experiência com uma aluna autista no Centro Integrado de Educação de Jovens e Adultos (Cieja), no bairro de Campo Limpo, zona sul de São Paulo. “O desafio foi ainda maior porque ela já estava na fase adulta e sabemos que a relação se estabelece mais facilmente na infância”, reconhece. Nem por isso o educador desistiu do processo de aprendizagem que se construiu em cinco anos.

Billy conta que o processo teve como base a aceitação, o respeito e também esclarecimentos sobre a condição de ser autista. “Não dá para se pensar em inclusão se a questão em pauta não for discutida de maneira natural em nossas vidas”, afirma.

Por essa razão, a educadora da Escola da Vila, Maria da Paz Castro acredita ser importante observar o aluno autista também fora do contexto escolar.”A criança autista deve ocupar e fazer uso dos espaços públicos, assim como todos os cidadãos”, afirma a educadora. Para ela, o processo de desenvolvimento desse  indivíduo será  alavancado todas as vezes que ele estiver em situações legítimas de convívio”, avalia.

Essas oportunidades e necessidades são subsídios para a escola trabalhar seu plano de escolaridade, já que a instituição, na visão da educadora, “ é, por excelência um espaço de relação, de construção de autonomia, de resolução de problemas e de aprendizagem”. Para Billy, o processo pedagógico  deve promover a autonomia, “exatamente como fazemos com os alunos que não têm deficiência”, defende.

Para além da relação professor aluno, as estratégias inclusivas devem acionar a comunidade escolar e os familiares dos estudantes. “É importante garantir momentos para que todos discutam a questão e possam pensar de forma conjunta ações concretas para que a inclusão aconteça”, recomenda o educador.

Café Terapêutico

O Cieja Campo Limpo desenvolve o projeto Café Terapêutico que reúne pais, alunos e comunidade na discussão de uma sociedade inclusiva. Este ano, a iniciativa completa seis anos e trará como tema: “A inclusão se faz com mãos. Nossas mãos. Mãos que fazem a diferença”.

Instituições especializadas x Escolas regulares

Os embates referentes à inclusão, no entanto, não impedem os especialistas de reconhecer uma  melhora no cenário. “É a partir da presença dessas crianças na escola que esses sistemas educacionais vão se mobilizar para entender em que sentido precisam se aperfeiçoar”, reconhece Maria Teresa Mantoan. Os gargalos educacionais podem ser ponto de partida de debates que induzam políticas públicas.

Em 2010, por exemplo, a questão da inclusão de estudantes com deficiência na escola regular estava na agenda da Conferência  Nacional de Educação (Conae-2010). Seu documento final trazia a escola como espaço fundamental na valorização da diversidade e garantia de cidadania. O objetivo era fazer com que o documento final da conferência servisse de base para a redação do Plano Nacional de Educação (PNE), mas, de acordo com a professora Maria Thereza, não foi bem isso que ocorreu.

Se na Conae a discussão tinha como foco a  universalização da educação regular a todos os estudantes com deficiência, quando o PNE chegou na Câmara, a redação abriu espaço para que a educação dessas crianças seja oferecida em organizações especializadas. “Eles querem voltar para trás, querem neutralizar o desafio da inclusão fazendo voltar a escola especial, quando todo mundo sabe que a diferenciação pela deficiência é crime [de discriminação]. O salto qualitativo necessário para a inclusão é um ensino desafiador da capacidade de cada aluno e que reconhece a diferença de cada um”.

Mesmo considerando a importância das organizações especializadas, o presidente da Associação Brasileira para Ação por Direitos da Pessoa com Autismo (Abraça), Alexandre Mapurunga, acredita que elas não podem substituir a escola regular. “Não tem como substituir a diversidade e cultura escolar. Se ela tem dificuldade de socializar e desde cedo tiramos essa oportunidade de estar em um meio social, vamos condenar essa pessoa a ter uma vida adulta mais dependente ainda”, conclui.

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57 COMENTÁRIOS

  1. Este texto é de grande valia para mim. Estou enfrentando dificuldades em concluir a graduação em Biologia, por ter mudado de tema sobre Educação Ambiental para Autismo e Inclusão. Já poderia estar formada, mas como o assunto foi considerado complexo e não exatamente ligado á Licenciatura de Biologia, cada vez fico mais confusa. Obrigada pela oportunidade em ter acesso a esse texto.

    • Kátia Keller disse:

      Promovi um evento no dia 2 de abril, no qual uma das palestrantes falou sobre a neurobiologia do Autismo. Se tiver Facebook, procure pela dra. Vânia Canterucci Gomide-Çakmak, a palestrante. Talvez ela possa te ajudar de alguma forma!

  2. Angelita miranda disse:

    A INCLUSÃO É SEM DÚVIDA UM DESAFIO QUE PAIS E ESCOLAS
    ENFRENTAM. As capacitações para os profissionais são de grande necessidade, para saberem enfrentar as situações adversas que irão surgir e também ajudar o autista avançar em suas capacidades, possibilitando dessa forma, igualdade de direitos.

  3. vanessa azevedo disse:

    tem um filho com atraso de fala e coordenação motora e estou com dificuldade de matricula-lo em escola regular, pois solicitam que pague um cuidador ou acompanhante para ficar com ele, mas tenho que arcar com as despesas mensalidade + cuidador a escola não oeferece.
    o que posso fazer? ja que financeiramente não tenho como pagar o cuidador a escola pode se recusar a recebe-lo sem o cuidador?

  4. Adriana Maria disse:

    parabéns. Foi de fundamental importância esta informação. Pois eu tenho um filho com ASPER ele tem 14 anos.Muito grata.

  5. veronica disse:

    Dói mt em saber que tem milhões de pessoas autistas e tão pouco são os recursos.

  6. MARCIA APARECIDA RIBEIRO disse:

    Tenho um filho autista de 24 anos, paguei escola particular para ele, mas a própria escola só ficou com ele por 15 dias, disse que não tinha profissional nem condições de cuidar dele. Meu filho é ASPEGER, imagina outras crianças que conheço que não se comunicam, não admitem o toque, como estariam junto com outras crianças. As escolas públicas hj não tem a menor condição de cuidar destas crianças, inclusive mal conseguem cuidar dos ditos “normais”, os professores não estão preparados, o ambiente não está adaptado à eles, o ensino hj já é uma porcaria, hj meu filho lê, escreve e até fala outros idiomas, e frequenta todos os lugares publicos, cinemas, teatro, livrarias.
    Pensem bem antes de prejudicá-los ainda mais.

    uma mãe que dedicou toda sua vida em dar uma vida melhor ao seu filho, e posso dizer que consegui.

  7. Elaine Meneses disse:

    Tenho um filho de onze anos com espectro autista e TDHA, sofremos muito, eu e ele desde que ele foi encaminhado para uma escola Municipal de ensino regular, dita inclusiva. Inclusão não existe! Meu filho nunca foi acolido adequadamente na escola, como é autista ele já é rotulado, tudo que acontece de ruim passa a ser de responsabilidade dele.Alguns professores já barram sua permanebcia em sala de aula sem nem ao menos conhecê-lo. Não permite que ele vá aos passeios, reduziram sua permanencia na escola. Nem na secretária o querem mais pois ele perturba o descanso das professoras no recreio com suas cantorias. Sofre bullyng, e os colegas o rejeitam, riem dele, e o induzem a praticar atos obcenos para que seja ele o responsável por tudo. Tenho outro filho gêmeo com multiplas deficiências, e estou muito triste. Moro em Porto Alegre, meu esposo deu entrada com um processo na defensoria pública em Março para conseguir monitor para ele , mas até agora nada! Estou desacreditada com tudo! élamentável!! e ele é inteligente, aprendeu a ler e escrever, tenho certeza que conseguiria progredir se houvesse interesse dos orgãos responsáveis em apopia-lo.

    • Maria de Fátima disse:

      Entendo perfeitamente você. É normal nos sentirmos assim!
      Tenho uma filha de 4 anos anos autista e enfrento esses problemas também. A inclusão se torna mais difícil por falta de sensibilidade de muitos profissionais. Há sempre uma desculpa: Ah, pq não tenho formação, ou pq não tem recursos, enfim, sempre uma desculpa. Sabemos das dificuldades, mas é preciso ter uma olhar diferente e não limitar tanto. Não podemos nos calar. As leis existem, então devemos sim correr atrás dos direitos das nossas crianças.

  8. rubenice albuquerque marcelino disse:

    tenho um filho com sindrome de asperg e esta com muita dificuldade de aprendizagem,gostaria de mais informacao de como posso ajudalo a supera esta deficiencia.

  9. Breno Ramos disse:

    Eu adorei a pesquisa,estou fazendo um artigo cientifico sobre a educação de crianças com autismo e peguei informações da pesquisa de vocês,mas eu preciso fazer as referencias bibliográficas,porém não tenho as informações necessárias,vocês poderiam me conceder essas informações,se puderem eu agradeço.Parabéns pelo ótimo trabalho.

  10. Marisa Lopes disse:

    Acredito na inclusão do autista na Escola Regular. Se ele aprende por imitações, por observações à sua maneira, por que privá-lo da convivência com outros jovens da sua idade que poderá proporcionar-lhe momentos de interação e aprendizagem? A alegria contida na amizade, nos encontros, nas brincadeiras, somam à vivência desse aluno. E ele cresce, absorve novas experiências e tenta superar suas dificuldades.

  11. claudenise almeida disse:

    Recomendo as mães a leitura do livro brilhante de Christine barnet as veses eh necessário tomarmos atitudes pessoais para q nossos filhos autistas aprendam porq nem sempre as políticas nem sempre os alcansam de forma eficaz, eu mesmas voltei para sala de aula estou fazendo psicopedagogia para ajuda lo melhor

  12. Jaqueline Freitas disse:

    Meu nome e Jaqueline moro em realengo e aqui onde eu moro os autistas ñ tem vem muitos provento. Aqui começa e para eu tenho uma filha de 11 anos e seu ñ fizesse por ela hoje ela ñ seria assim só pesso a Deus q me ajude pq não tenho ajuda de ninguém

  13. Eunice ferrari disse:

    O texto é muito válido para pais e profissionais. Já os materiais de apoio em anexo são ótimos.

  14. Maria Spong disse:

    Presados,
    Depois de tanta angustia, vem um diagnostico.
    Meu filho tem TEA, 9 anos fazendo 10 anos no proximo dia 23.
    Entao preciso de ajuda, ele sempre estudou na escola Britania e estava indo bem, ocorre que por razoes financeiras tive que tira lo da escola,
    Sem poder pagar por essa escola em especial, fui em busca de outra escola, e ele nao se adequa, nao consigo uma escola inclusiva, alem disso culta muito caro as escolas…
    Moro em botafogo Rio de Janeiro

    Maria

  15. Paulo Leite disse:

    O desafio da inclusão das crianças autistas nas escolas regulares é permanente, principalmente para os pais dessas crianças. Tenho um filho autista que estuda em escola pública e sei muito bem o quão é difícil para nós batalharmos por melhores condições de ensino para nossos filhos, principalmente no que se refere à forma como é feito o acompanhamento pedagógico e a adaptação do conteúdo programático escolar. Mas não devemos esmorecer, pois se não estivermos atentos e vigilantes na cobrança de nossos direitos, nada será feito.

  16. emiliane pimentel disse:

    meu filho tem oito anos ele tem autismo,ta muito dificio na escola ele nao que ficar na turma dele,e bate se é contrariado…

  17. SANNAYA BARROS disse:

    Olá. Muito edificadores os comentários sobre o autismo. O autismo é o meu tema de monografia que estou desenvolvendo aos poucos. No momento estou fazendo o projeto de monografia. Gostei muito do que li aqui e gostaria de incluir este trabalho magnifico no meu projeto no tópico: Estado da Arte. Não encontrei referência, gostaria de saber como faço para obtê-la.

  18. Marlene Ribas disse:

    Boa noite Prezados amigos,
    Eu tenho uma criança autista de 6 aninhos em minha familia e de tanto lidar com ele no dia a dia aprendi a amar os autistas. Levei muitos tempo pesquisando e estudando para saber cuidar e tratar o meu pequeno autista.
    Hoje eu estou procurando instituições e principalmente escolas que estejam precisando de profissionais com experiência prática para ajudar a cuidar e ajudar no tratamento de crianças autistas por que eu faço por amor…. eu amo os autistas e gosto do contato direto com eles.
    Atenciosamente,
    Marlene Ribas

  19. Erika disse:

    Excelente ,achei o que procurava.

  20. leila disse:

    gostaria ter mais informacoes sou monitora e quero saber como posso ajudar no desenvolvimento do aluno autista e com tres anos

  21. Regina Celia da Costa Santos disse:

    Venho aqui registrar o meu olhar sobre o autismo. Inicialmente ficava muito preocupada por não saber se a atitude que tomei estava correta. Com o passar do tempo, percebi que a atitude correta é aquela que acertamos e motivamos o fazer da criança autista no tempo certo ou seja no tempo dele. Aprendi a saber o que ele aprendeu. Aprendi tb que ele tem tempo limitado e quando percebo chegou a hora vou no ouvido com jeito carinhoso e digo: já sei! Quer dá uma saidinha né? Pode ir mas quero vc de volta. Tem dado muito certo a nossa relação. E não adianta dizer ele sai da sala e se os outros quiserem sair tb. Eu lhe respondo: sei como conduzir uma turma. Inclusão é vc entrar no mundo dele e não querer que ele entre no nosso mundo. Muito feliz com essa nova experiência, mas muita leitura e afeto.

  22. Tenho um filho que e autista ele perdeu a mãe aos 23 anos e parou tratamento, aos 13, quando a mãe adoeceu ele falava, às vezes ate cantava algumas musicas. Hoje, aos 36, ele é uma pessoa calma e fácil de lidar mas não se comunica com ninguem. Ele estuda no colegio sabim em b. roxo mas não tem tratamento adequado ao autismo dele, pois ele vai e volta para o colegio de ônibus sozinho. mas eles não trabalha com o problema dele com fono e ocupação. Eu peço a ajuda, pois ele so vai au coligio para jantar e mais nada. Não faz nenhuma terapia.

  23. Rafael disse:

    Oi, esse texto foi de grande importância para mim, pois agora dia 03/08/2015 estarei estagiando em uma escola na zona rural da cidade onde eu moro, uma escola qual tem pouco recursos. Meu estagio será com alunos de 1º ao 5º ano onde estarei acompanhando de maneira direta um aluno com autismo do 2º ano. Sou estudante do curso de Educação Fisica, confesso que estou um pouco apreensivo pelo fato de não saber como posso ajuda-lo a se desenvolver mais, a interagir mais com os amiguinhos da sala e com o dia a dia, pelo outro lado estou muito feliz, pois sei que com esse aluno eu vou crescer muito como profissional e principalmente como seu humano, mais eu quero muito, mais muito mesmo ensinar a ele da mesma maneira e proporção da qual ele vai me ensinar, ser tão util a ele o quanto tenho certeza que ele será para mim, pois irei aprender muito convivendo com ele, sera uma experiencia magica, unica e muito especial, e por isso quero muito aprender cada vez mais sobre isso para que possa ser especial a ele tbm.
    E se possivel gostaria de ajudas, aqui estarei deixando meu e-mail para que você que tem alunos assim, filhos ou estuda o caso possa me ajuda e me indica artigos quais possam me preparar!
    Como conversa de maneira que ele me entenda, brincadeiras que eu possa fazer e que ele se interesse em participar…etc.

    conto com vocês.

    desde já, OBRIGADO.
    e-mail: rxavero2015@gmail.com

  24. Ingrid Cristine de Sousa Vasconcelos disse:

    Sou estudante de Pedagogia gostaria que me indicassem autores que falem sobre a inclusão do aluno Autista ou Sobre o autismo de uma forma pedagógico.

  25. Fatima Rocha disse:

    Gostei muito do texto, pois esclareceu muito sobre a inclusão na escola. a inclusão é lenta e alguns professores não querem estudar e ajudar aos alunos especiais. Gosto de está sempre lendo e fazendo cursos, me aperfeiçoando.
    Obrigada, pelo texto!
    Fátima

  26. Maria das Graças da Silva disse:

    Sou mãe de um lindo garoto de 10 anos, completados no mês passado. Emmanuel. Ele é inteligente, muito bom de matemática, inglês e informática. As outras matérias, nem tanto, mas acompanha o conteúdo. No 3º ano do ensino fundamental, sempre é o primeiro a terminar as tarefas escolares. lê tudo desde os 5 anos. Apesar de tantas habilidades demoramos a encontrar uma escola regular que o aceitasse, pois, sempre tinha a desculpa: ” não estamos preparados para receber uma criança com autismo”, ou : os professores não estão preparados! Após a 4ª escola visitada, recebemos uma resposta mais ou menos positiva: vamos fazer um teste de adaptação. Isso aconteceu há cinco anos, onde Emmanuel está até hoje, super adaptado com todos os professores. No início foi difícil pra ele e pra nós pais( meu esposo e eu), pois foram quase dois meses de crises, onde Emmanuel mostrou até agressividade com os coleguinhas e com as tias, coisa que ele não é, mas naquela fase tudo era novo para ele, uma escola grande, com uma movimentação diária intensa, aquilo o deixou muito desestabilizado. Mas passou…Hoje, totalmente adaptado, olhamos para trás e vimos que valeu apena insistir e investir nele, no seu potencial e vamos continuar investindo, acreditando. A Escola é atualmente uma grande parceira nossa. Todos os anos, a partir de setembro, a professora já vai levando ele para a turma em que ele vai no próximo ano para ir se adptando a nova turma e uma nova tia e tem funcionado muito bem essa estratégia. Apesar de ser lei mas muitas escolas ainda se acham no direito de dizer que não estão preparadas, e quando vão estar? Quero parabenizar aos professores que abraçam a causa e aceitam o desafio de aprender com uma criança autista, ou com outra deficiência e buscam estratégias de inclusão, nesse universo tão necessário e tão peculiar. Parabenizo também aos pais e especialmente as ma~es que buscam incessantemente a inclusão dos seus filhos. Portanto concluo com uma frase: nunca desista dos seus filho autista, antes lute por ele, vale apena, vc vai se surpreender!!!!! Que Deus derrame sabedoria e força para todos nós!

    • Lílian Cristina Silva Carvalho disse:

      Obrigada pelo relato !
      Este ano trabalhei com o Elias no Jardim II, foi uma feliz parceria entre nós e ele.

      Feliz Natal e Amém !

      Lílian

  27. Alcione Simone Silva disse:

    Estou estudando magistério, e o meu trabalho de pesquisa e sobre o autismo, só que estou muito confusa, porque o tema autismo na escola esta muito vago. Gostaria que me ajudasse

  28. João Queiroz disse:

    Interessante como essa história se repete. A gente só se sensibiliza quando acontece conosco. Em Campinas tive o mesmo problema, ao procurar vaga para meu filho de 11 anos, agora em julho quando me mudei para cá. Fui à mais de dez escolas particulares municipais e até uma estadual, e sempre houve desde empecilhos menores até a recusa descarada de uma escola particular, falsamente autoentitulada como quem prega o “amor”, em fazer a recusa na matricula ao perceber a necessidade especial de meu filho. Quando liguei, sem mencionar a deficiência houve a vaga.
    Graças ao meu bom Deus consegui uma escola que foi muito receptiva e tem sido muito carinhosa com mue filho, pena que tenho que ” viajar” mais de 40km por dia para que ele possa estudar. A gente faz tudo pelos filhos né?

  29. Fabio Oliveira disse:

    Boa tarde.
    Sou Pedagogo e só trabalho com autismo.
    quando vou às escolas falar de inclusão sempre peço os olhos do coração porque eu acredito na possibilidade da inclusão. Quando nos despimos dos nossos PRÉ CONCEITO, somo capazes de aprender com o novo. Tem sempre um professor que diz eu não estou preparado para trabalhar com essas crianças, não fui formado para isso ou a escola que diz não temos profissionais preparados. Eu sempre faço a seguinte pergunta: QUEM TEM FACE, WHATSAPP; todas essas tecnologias a gente aprendeu então podemos aprender a trabalhar com esse alunos. Basta ter vontade, essa é a maior barreira.

  30. Laura disse:

    Inclusão nunca havia sido uma questão para mim, até descobrir a condição de meu filho. Queremos que ele faça parte de escolas regulares, mas agora temos dúvidas em relação quanto a matrícula em escola de porte grande ou pequeno. Não acho muita discussão a esse respeito…

  31. DENNY ARAUJO disse:

    amei as noticias que acabo de ler, pois tenho um filho autista e sinto na pele a necessidade de inclusão

  32. Avançamos um pouco no que diz respeito sobre o entendimento do autismo. Hoje as pessoas conhecem um pouco mais do que ele é e quais são as suas implicações. O Ideal é que essas informações bem como os benefícios garantidos em lei cheguem a todos. Quanto a área educacional é preciso conhecer cada criança ou jovem com o autismo. Pois, conhecendo as potencialidades e dificuldades, o trabalho escolar e terapéutico terá mais eficacia.

    Saul Furtado da Silva

  33. Gabriela Mattos disse:

    É isso mesmo e muito mais. Adorei os comentários dos profissionais. Tenho dois filhos com autismo e pretendo fazer psicologia com inclusão porque vejo na escola do meus filhos mães muito perdidas; não aceitam e não entendem. Professores às vezes não sabem como proceder mesmo tendo boa vontade de auxiliar uma criança especial. Gostei muito. Quero me especializar para ajudar essas mães e profissionais (professores), ajudar nossas crianças para que o futuro melhore. Abraço a todos e gostaria de sempre saber noticias atualizadas de vocês.

  34. Ursula Carla Barbosa disse:

    Excelente texto, bastante esclarecedor.
    Sou pedagoga, vou estar com uma turma de 1ano e pela primeira vez com um aluno autista. Muito obrigada.

    • Divone S.Souza disse:

      Estou me formando em pedagogia e assisti o filme Temple Grandin, achei muito interessante ver a capacidade que uma pessoa com autismo tem em desenvolver sua capacidade, seu inteligencia. Recomendo pra quem não assistiu que assista. Você mãe, você pai ou profissional da área de educação.

      • Kátia Keller disse:

        Divone, os aspies representam entre 20 e 30% da população com autismo. O restante, a maioria, apresenta comprometimento intelectual, que pode ser leve, moderado ou severo. O autismo não é algo desejável ou bom, e falo isso como mãe.

  35. Francisca Leal disse:

    eu vivo em Angola e tenho um filho de 4 aninhos,ele é autista

  36. Baseada na leitura cotidiana a respeito as informações adquirida e vivenciada ao contexto escolar. O ser humano percebe em toda a sua existência o seu próprio desenvolvimento cultural, formação, e realização que pode ser transformada com a mudança de atitude adquirida por meio da aprendizagem e do conhecimento bem desenvolvido. As nossas escolas precisa mesmo é de profissionais formados e capacitados e que se ponha no lugar dessas mães e vistam a camisa da educação sem medo e que mostrem o poder que tem em suas mãos.

  37. Cristiana Barreto Leao disse:

    Muito boa a matéria, me ajudou bastante.

  38. Kátia Keller disse:

    Sou mãe de criança com autismo e não vejo chance de sucesso na inclusão, pelas próprias características do transtorno. Poderia escrever um tratado a respeito, e desafio qualquer um a me provar o contrário. A pior exclusão é forçar uma inclusão impossível. De qualquer forma, é cômodo para o poder público abrir algumas salas de AEE e suportar uma estrutura – mínima e deficitária – em nome dessa falácia chamada ‘inclusão de autistas’. Para não pecar completamente, os governos jogam alguma verba no colo das entidades com escolas especiais, sem qualquer supervisão da qualidade do trabalho que é realizado. Enfim, completo abandono dos cidadãos autistas e de suas famílias.

  39. Izilda Salete Ramos disse:

    Trabalho em CMEI, sou a única professora que tem um Adicional na área de Deficiência Mental.