fechar
Centro de Referências em Educação Integral Educação Integral na Prática
Twitter Facebook Youtube
Rede de Educadores

Rede de Educadores

Tendo como objetivo o desenvolvimento dos indivíduos em todas as suas dimensões – física, intelectual, social, emocional e simbólica – a Educação Integral demanda a integração de diversos agentes nos processos de educar.

A escola tem o papel de catalisar estes diversos agentes, desenvolvendo um projeto político pedagógico que busca integrar as potencialidades do território em que está inserida em torno do objetivo maior de educar. E a Secretaria tem o papel fundamental de criar condições que viabilizem o trabalho em rede e a construção da agenda educativa local.

As potencialidades do território território para os processos formativos das crianças e jovens incluem os conhecimentos das pessoas dali, suas tradições, seus valores, suas habilidades, competências técnicas e linguagens expressivas. E, dessa forma, essa grande comunidade precisa ser convidada a compartilhar seus saberes com os estudantes em um processo estruturado e dialogado com os conhecimentos e as linguagens acadêmicas.

Mas, para que este diálogo seja possível, é preciso que a escola desenvolva um projeto político pedagógico que conceba essa rede de educadores, reconhecendo e propondo a integração dos professores e demais profissionais da unidade de ensino com os educadores da cidade – os agentes culturais, esportivos, ambientais, sociais e comunitários, a serem convidados junto aos equipamentos públicos e privados, organizações sociais, universidades e associações comunitárias.

Saiba mais
Experiências

Educadores em todos os espaços

Assim, todos os profissionais e agentes que reconhecem e realizam sua intenção educativa, ou seja, que apoiam de algum modo os estudantes em seu desenvolvimento, são educadores. E, paralelamente, o trabalho dos professores da escola deve articular as orientações curriculares vigentes, as necessidades e interesses dos estudantes e os conhecimentos disponíveis no território.

Para tanto, a construção de planos de trabalho integrados entre os professores da escola e os educadores da cidade e projetos individuais dos estudantes possibilitam que todos atuem efetivamente como uma rede.

Por fim, na Educação Integral, as famílias dos alunos e vizinhos do entorno escolar também são legitimados como agentes educadores e convocados a compartilhar e refletir sobre seus valores e estratégias educativas. Ao serem convidados a participar do ambiente escolar e dos itinerários educativos que se constroem no território, tornam-se elos fundamentais para fortalecer a convivência comunitária, colaborativa e responsável pelas crianças e adolescentes da comunidade.

Programa Escola da Gente molda educação integral no município de Betim Programa Escola da Gente molda educação integral no município de Betim
Experiências
Programa Escola da Gente molda educação integral no município de Betim

Iniciativa: Programa de Educação Integral Escola da Gente

Pública ou privada: Pública

Descrição: O Programa de Educação Integral Escola da Gente foi implementado pela Prefeitura Municipal de Betim em agosto de 2009.  A iniciativa buscou traduzir as proposições que regem a proposta de Educação Integral, com vistas à qualidade educacional em diálogo com todas as dimensões humanas. Para tanto, o Programa nasceu com foco no território e no compartilhamento de saberes, se moldando como uma política de gerenciamento intersetorial, que redimensionou a matriz curricular do ensino fundamental, ofertando novas atividades de diversas áreas do conhecimento e ampliando tempos e espaços para o desenvolvimento das mesmas.

Saiba +: Como formar gestores e professores para atuar na Educação Integral?

A opção por uma estrutura de gestão pautada na intersetorialidade fez com que o Programa buscasse a convergência e a integração das políticas públicas municipais e ainda estabelecesse alianças com diversos setores e instituições da sociedade para ofertar uma educação que reconhecesse e abarcasse a integralidade das crianças e adolescentes atendidos nas escolas da rede municipal de ensino.

escola da gente 1

Crianças no Auto do Boi. Foto: Reprodução

Planejamento integrado

Para iniciar o desenho da proposta, a Secretaria de Educação realizou um diagnóstico no território que revelou diversos projetos educativos, encabeçados por diferentes instâncias públicas, mas que aconteciam de maneira isolada. No entanto, não bastava integrar apenas as ações, o que geraria uma demanda impraticável para um único dirigente, e sim contar com um esforço coletivo de gestão.

Formação de educadores (Dezembro 2012). Foto: reprodução

Formação de educadores (Dezembro 2012). Foto: reprodução

A partir de então, teve início o diálogo com outras secretarias, com o objetivo de compartilhar saberes e convergir recursos e esforços para as práticas educativas. Da articulação, nasceu o Fórum Intersetorial, organização responsável por planejar, executar e avaliar as ações pedagógicas que seriam propostas às escolas. Ao todo, 12 secretarias enviaram representantes que, uma vez por semana, pensavam as atividades e, mensalmente, as avaliavam.

Além de uma proposta pedagógica, o plano de trabalho considerou metas para outros setores, como infraestrutura e logística e orçamento e finanças.

A reestruturação curricular

Para ampliar as oportunidades educativas aos alunos, o Programa previu a inserção de atividades ao currículo, para além da oferta das disciplinas tradicionais. A partir dos eixos esporte e lazer, arte e cultura, acompanhamento pedagógico, educomunicação, meio ambiente e inclusão digital, os alunos podiam vivenciar experiências complementares e enriquecedoras aos conteúdos tradicionalmente trabalhados. Cada escola teve autonomia para escolher as atividades em conjunto com os alunos, familiares e até moradores do entorno onde se localizavam, mostrando a intencionalidade do programa de dialogar com as demandas de cada comunidade.

Ainda assim, com o passar do tempo, os gestores identificaram uma queda no envolvimento dos alunos, o que motivou a criação das chamadas atividades itinerantes, também eleitas pelos próprios estudantes. Elas giravam em torno da culinária, das atividades circenses, grafite, cinema, fotografia e língua espanhola e têm duração mais curta.

Também foi proposto uma maior interação das escolas com outros espaços públicos e privados (como sítios, clubes e hotéis fazenda), o que trouxe uma outra dinâmica educadora às comunidades, que passaram a reconhecer a intencionalidade pedagógica para além das instituições escolares.

A equipe pedagógica

A nova orientação curricular pediu uma nova equipe para cada escola, que somaria aos educadores já atuantes. Para cada unidade foi direcionado um gestor, um apoio e um monitor por área escolhida pela escola, como música, dança, esporte, acompanhamento pedagógico, entre outras. Cada profissional tinha atribuições que zelavam pela manutenção dos processos pedagógicos em diálogo com a educação integral.

Ao gestor, por exemplo, entre outras tarefas, cabia a divulgação do programa e a mobilização de estudantes; familiares e membros da comunidade. Os monitores, por sua vez, eram enviados pelas universidades - importantes parceiras do processo - e atuavam nos novos eixos educacionais contemplados pela proposta.

No acompanhamento pedagógico podiam atuar estudantes de cursos de licenciatura em letras, matemática, pedagogia, e ciências biológicas; em esporte e lazer, dos cursos de educação física ou fisioterapia; arte e cultura, dos cursos de belas artes, música, artes plásticas e outros relacionados à temática; em ecologia, dos cursos de gestão em educação ambiental, engenharia ambiental e outros.

A formação continuada

A proposta previa a formação continuada para todos os envolvidos - gestores, coordenadores do Escola de Gente nas universidades, pedagogos das escolas inseridas no programa, representantes das secretarias e equipe. No caso dos monitores, as horas de atuação eram divididas entre o acompanhamento dos alunos (25 horas semanais) e momentos de formação (5 horas semanais). Aos demais profissionais, eram investidas 20 horas de formação, sendo dez coordenadas pela escola e dez pela universidade parceira.

De início, foi realizada uma formação inicial para os profissionais, colocando-os em contato com as diretrizes e metas do Programa, políticas educacionais (como Mais Educação, Lei de Diretrizes e Bases, FUNDEB e outras) e temáticas convergentes com a proposta de educação integral, como intersetorialidade, gestão pública, diversidade étnico-racial, educação inclusiva, afetividade e pertencimento.

Para estimular a atuação coletiva dos envolvidos, também foram propostos momentos de trabalho em grupo com elaboração e montagem de oficinas, além de vivências nessa prática pedagógica e ainda momentos de acolhida dos monitores, de reconhecimento do ambiente escolar e do perfil das comunidades, dos aspectos organizativos das escolas e interação com as próprias ferramentas do Programa, como formulários e documentos.

Além disso, havia as formações específicas por eixo de atuação direcionadas aos monitores e á comunidade atuante.

Diálogo com as famílias

Atividades com familiares nas escolas. Foto: Reprodução.

Atividades com familiares na escola. Foto: Reprodução.

As escolas participantes do Programa também ficavam incumbidas de manter uma agenda próxima das famílias, que se traduzia em encontros mediados pela equipe participante, como um gestor, diretor, ou representante das secretarias e parceiros. A ideia desses momentos era trazer temas que contribuíssem para a reflexão da importância da família no processo educativo, tais como: "O desenvolvimento do adolescente e o papel dos pais", " O papel da família na educação dos filhos, "As fases de desenvolvimento das crianças", entre outras abordagens.

Merenda e transporte

Para resolver a questão da merenda e transporte, o Programa buscou parcerias com restaurantes populares nas diversas localidades em que as escolas estavam inseridas. Em cada região, foi nomeado um estabelecimento que ficava responsável pela entrega das refeições. No caso do transporte, a iniciativa custeou a aquisição do mesmo por escola.

Leia também: Como pensar a infraestrutura e financiamento na Educação Integral?

Avaliação

Os processos educativos eram avaliados bimestralmente pela coordenação geral do programa junto à equipe gestora das escolas e colegiado escolar. As práticas tinham por fim avaliar os profissionais envolvidos, a implementação do programa, a qualidade do trabalho, a aprendizagem dos alunos e reconhecer possíveis ajustes e redirecionamentos pedagógicos e a efetividade da intersetorialidade e da troca de experiências e informações.

A avaliação previa a participação da equipe do Programa Escola da Gente, mas também a dos familiares, alunos e parceiros. Por meio de questionários, cada um desses atores podia manifestar a sua opinião sobre o funcionamento do mesmo em relação à infraestrutura e condução pedagógica.

O processo não só ampliou a capacidade de escuta do Programa, como democratizou as tomadas de decisão, feitas com base nas diversas participações e opiniões.

Início e duração: de 2009 até os dias atuais. Contudo, na troca de gestão, o programa sofreu algumas modificações.
Local: Município de Betim, Minas Gerais.
Responsáveis: Prefeitura Municipal de Betim.
Envolvidos e parceiros:
14 secretarias municipais de Educação (planejamento, obras públicas, engenharia de tráfego, Instituto de Pesquisa e Política Urbana de Betim, assistência social, cultura, educação, saúde, esporte, meio ambiente, comunicação, agricultura, superintendência de políticas sobre drogas e coordenadoria de igualdade racial)
Financiamento: orçamento compartilhado entre as secretarias municipais envolvidas.

Principais resultados

Desde a sua implementação em junho de 2009, quando o programa foi iniciado em três escolas, se acompanha o seu crescimento - em 2012, eram 37 escolas atendidas. A ampliação da oferta educativa à rede municipal de Betim modificou a dinâmica das escolas que passaram a enxergar o aluno como indutor de um processo de aprendizagem, e também a reconhecer e reforçar o papel colaborativo dessa condução, em parceria com outros atores e espaços educativos.

Crianças do programa em apresentação de violino. Foto: Reprodução

Crianças do programa em apresentação de violino. Foto: Reprodução

Isso modificou as relações para além do âmbito escolar. Os alunos ficaram mais engajados com a aprendizagem, já que passaram a exercitar outras habilidades e também é visível a aproximação desses jovens com o território, a partir da extensão das atividades educativas para outros espaços. Nesse contexto, a família também pôde se aproximar do processo, e não apenas entender o seu papel em meio a ele, como assegurar a sua proximidade engajada.

Para o município, houve ganhos na curva de aprendizagem e também na diminuição da violência em parte das comunidades em que o Programa atua. Segundo a equipe gestora que implementou o processo e não mais está a frente da iniciativa, o principal desafio foi o de caminhar para que se estabelecesse uma política governamental, capaz de garantir a continuidade das ações, independentemente dos interesses das variadas gestões.

Contato

Prefeitura Municipal de Betim

Telefones: (31) 3512-3444 / 3512-3000

Site: Programa Escola da Gente

Facebook: www.facebook.com/EscoladaGente

Programa "Tempo de Escola" de São Bernardo do Campo aproveita variados espaços da cidade Programa "Tempo de Escola" de São Bernardo do Campo aproveita variados espaços da cidade
Experiências
Programa "Tempo de Escola" de São Bernardo do Campo aproveita variados espaços da cidade

Iniciativa: Programa de Educação Integral de São Bernardo do Campo - Tempo de Escola

Pública ou Privada: Pública

Descrição: Além de ocupar papel de destaque no setor industrial e na cena sindical, o município de São Bernardo do Campo (SP) é nacionalmente conhecido por ter sido parte importante da história do skate no Brasil. Desde a década de 1980, o espaço reúne atletas de diversas localidades para campeonatos da modalidade.

Pensando em aproveitar esses e outros espaços da cidade na discussão de uma educação integral para as crianças do município é que, em 2010, a Secretaria de Educação de São Bernardo implementou o programa de Educação Integral Tempo de Escola em 37 unidades escolares, ampliando o horário de aulas e utilizando espaços locais que tinham potenciais educativos.

Programa Tempo de Escola/ Créditos: Secretaria de Educação de SBC

Tempo de Escola/ Créditos: Secretaria de Educação de SBC

Desde o início, o objetivo do programa foi mostrar que os processos de aprendizagem das crianças e  adolescentes do município podem ser intensificados a partir do dos insumos educativos - espaços e pessoas -, presentes na cidade. A Secretaria acredita que a educação se dá também fora dos muros da escola, incluindo as famílias e e os saberes construídos pela população local.

Em 2010, a secretaria passou a firmar parcerias com outras pastas, a fim de construir um projeto de educação que conversasse com as várias políticas públicas do município. As principais alianças se deram com as secretarias de esporte e lazer, cultura e desenvolvimento social e cidadania.

Nesse período, foi possível criar diálogo também com as empresas da região que já possuíam vínculo com algumas das secretarias, mostrando que muitas de suas práticas também poderiam ser incluídas em processos educativos. A articulação da secretaria deu tão certo, que foi possível utilizar até mesmo os espaços ociosos privados da cidade para ações educativas.

Reconhecimento dos educadores sociais

Um dos pilares do programa era a expansão do tempo dos estudantes em contato com a aprendizagem, sem que, para isso, fosse preciso confiná-los durante longos períodos apenas no prédio escolar. O projeto entedia, então, que a colaboração dos espaços já existentes ao redor das escolas seria de extrema importância para alcançar esse objetivo, já que muitos educadores e organizações sociais realizavam de forma exitosa atividades voltadas ao público do projeto.

Programa Tempo de Escola/ Créditos: Secretaria de Educação de SBC

Tempo de Escola/ Crédito: Secretaria de Educação de SBC

Crédito: Prefeitura de São Bernardo do Campo

Mas, reunir e mapear as diferentes organizações sociais que atuam em um município não foi tarefa fácil. Uma das estratégias da gestão municipal foi lançar um chamamento público no Diário Oficial do município, convocando os movimentos e organizações sociais a participarem do processo de seleção.

Após realizar visitas técnicas e avaliar a infraestrutura dos espaços e a relação que tinham com a comunidade local, foi firmada parceria com nove instituições. Essas entidades colaboram diretamente com as escolas, participam do projeto pedagógico e oferecem oficinas no contraturno das unidades.

Atualmente, são oferecidas oficinas diariamente ou, pelo menos, três vezes na semana com foco em três eixos: corpo e movimento, ludicidade e arte e cultura. A primeira abrange danças populares, balé, capoeira, danças de rua e modalidades esportivas, como o skate, Tae-kwon-do, handebol, natação, entre outros. A segunda área é focada em brincadeiras. E a terceira em formação musical e artes cênicas e plásticas.

A avaliação  Colaborativa

Outro diferencial do programa é o modelo de avaliação, que, desde sua implementação, se dá de forma colaborativa entre as diversas partes integrantes. Para isso, a Secretaria, em parceria com representantes das organizações e movimentos sociais parceiros, pais dos estudantes, professores, funcionários e alunos, elegeu os indicadores que constituiriam o monitoramento e avaliação de processos.

Na avaliação de aprendizagem das crianças e adolescentes, foram estruturados indicadores que iam além do cognitivo, considerando habilidades como respeito e solidariedade. Foi construído, ainda,  um indicador sobre a qualidade do programa, levando-se em consideração a opinião dos diversos públicos envolvidos na proposta.

Início e duração: junho de 2010 até os dias atuais.
Local: São Bernardo do Campo (SP)
Responsáveis: Secretaria Municipal de Educação de São Bernardo do Campo
Envolvidos e parceiros: Ministério da Educação (MEC), ONGs, Igrejas, Escolas do município,  Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária (Cenpec).
Financiamento: Secretaria de Educação e Mais Educação, por meio do PDDE.

Principais Resultados

Com o programa, a escola pôde interagir mais com a cultura local, ampliando seu currículo por meio das atividades das organizações parceiras. Outra grande conquista do projeto foi o reconhecimento e integração dos saberes da comunidade ao currículo escolar. Com isso, professores passaram a se envolver mais com a comunidade, admitindo em suas aulas que a construção acadêmica fosse associada aos saberes e cultura local.

Embora ainda esteja em processo de construção, a Secretaria de Educação entende que outro resultado positivo foi a articulação entre as diversas secretarias, objetivando, assim, que a educação integral de dê como uma política efetivamente intersetorial no município.

Materiais e Publicações

Veja aqui publicação sobre o Tempo de Escola.

Programa Escola Integrada reconfigurou a relação das escolas com a cidade de Belo Horizonte Programa Escola Integrada reconfigurou a relação das escolas com a cidade de Belo Horizonte
Experiências
Programa Escola Integrada reconfigurou a relação das escolas com a cidade de Belo Horizonte

Iniciativa: Programa Escola Integrada (PEI) – Belo Horizonte

Pública ou Privada: Pública

Descrição: A cidade de Belo Horizonte foi um dos municípios pioneiros no processo de implementação da Educação Integral no Brasil, fazendo da cidade uma referência tanto nacional, quanto  internacional na Associação Internacional das Cidades Educadoras (AICE).

Crianças em atividades de comunicação

Crianças em atividades de comunicação

Em 1995, Belo Horizonte viveu uma experiência de educação diferenciada, com o Programa Escola Plural, que visava a realização de uma educação que integrasse diversos saberes e atores. É nesse contexto que, em 2006, nasceu o Programa Escola Integrada (PEI), uma política de Educação Integral com o objetivo de interligar a proposta pedagógica das escolas municipais aos diversos espaços contidos na cidade, tornando o município uma grande sala de aula.

Para que o programa fosse concretizado foi necessária uma extensa  articulação política do poder público municipal. Logo no início, foi realizada uma campanha publicitária e de mobilização anunciando quais eram os objetivos do programa, convidando as escolas a aderirem ao PEI e aproximando diversas secretarias, empresas e organizações sem fins lucrativos que também acreditavam que a educação é um dever de toda a sociedade.

Transporte articulado
Buscando que as crianças pudessem acessar os espaços educativos da comunidade e ultrapassasse os muros da escola, foi necessário o esforço da empresa de trânsito BHtrans. A empresa repensou a sinalização das ruas e trajetos de ônibus, para um melhor deslocamento das crianças e parceiros do programa.

Além da articulação intersetorial no âmbito do poder público,  as universidades do municípios, tanto as públicas quanto as privadas, também passaram a fazer parte do programa, encaminhando seus estudantes como monitores para as oficinas nas escolas participantes do programa. As oficinas eram programadas nas mais diferentes graduações e eram pensadas pelos professores dos cursos.

Foram feitas parcerias também com organizações sociais no entorno das escolas que já realizavam projetos com crianças e jovens para, assim, essas pudessem atuar como oficineiras apoiadoras do programa nas unidades de ensino.

Todas as escolas que faziam parte do programa possuíam um professor comunitário, responsável pela articulação entre a escola e a comunidade, o que incluía os estudantes universitários e os oficineiros dos projetos do entorno.

Desse modo, toda escola que integrava o projeto possuía uma equipe composta pela direção, coordenação pedagógica, professor comunitário, monitores universitários e os agentes culturais/sociais da comunidade.

A proposta pedagógica do programa permitia e incentivava também a utilização de espaços fora da escola. Organizadas em grupos de 25 estudantes, as saídas eram programadas e integradas ao currículo e acompanhados por um professor comunitário.

Estrutura
Para a realização do programa, foi ampliado o tempo de aula, de quatro para nove horas diárias. Era um programa que trabalhava em sala de aula, mas com o intuito de ir além dela, para assim desenvolver também o potencial educativo existente no entorno da escola a partir das oficinas oferecidas.

De acordo com a publicação Bairro-escola: Passo a passo, da Cidade Escola Aprendiz, cada escola possuía 40% das oficinas oferecidas pelos agentes da comunidade e 60% por universitários. Cada um dos oficineiros trabalhava com 25 estudantes a cada atividade, que durava, aproximadamente, 1h30. As universidades participantes ofereciam um quadro de opções às escolas que recebiam as oficinas, ficando à cargo do professor comunitário a escolha das atividades a partir da estrutura da escola e dos recursos em torno da mesma.

Assim, além do currículo regular, os estudantes tinham acesso a oficinas de artes, dança, cultura, brincadeiras, contação de histórias, jogos, informática, reforço escolar, leitura, inglês e cidadania.

Nessas oficinas, os monitores podiam levar os alunos a parques ou clubes, por exemplo, e propor atividades que envolviam matemática ou português ao ar livre, a partir de brincadeiras e elementos próprios do espaço onde estavam, tomando a prática pedagógica como uma experiência concreta vivida pelos estudantes e educadores.

Crianças e educadores pintando os muros da comunidade

Crianças e educadores pintando os muros da comunidade

Para a avaliação, eram feitos encontros semanais entre os universitários e oficineiros com os professores, coordenadores pedagógicos e, em alguns casos, com a direção. O objetivo não era "punir" o que não havia dado certo e sim para acompanhar de forma processual e constante as atividades e a qualidade das mesmas na intersecção com o projeto pedagógico escolar.

Início e duração: Início em 2006 e perdura até os dias atuais. Contudo, atualmente, o programa mudou algumas de suas características.

Local: Belo Horizonte (MG).

Responsáveis: Secretaria Municipal de Educação (SMED-BH).

Envolvidos e parceiros: Escolas, creches, empresas, comércio local, fábricas, faculdades, creches, centros culturais, centros de saúde, entre outros variados equipamentos públicos e comunitários.

Financiamento: Secretaria Municipal de Educação (SMED-BH). 

Principais Resultados:

O Programa Escola Integrada deu passos muito significativos em Belo Horizonte, a começar pela própria gestão da política pública, que partiu de uma construção intersetorial para garantir a efetividade do programa.

https://www.youtube.com/watch?v=8myxRFQw0UQ

No ano de 2008, a Fundação Itaú Social e o Itaú publicaram uma avaliação sobre o Programa Escola Integrada, comparando quinze escolas que eram parte do programa e outras quinze que não haviam sido contempladas, com o objetivo de traçar quais foram os avanços das escolas onde o PEI aconteceu. A pesquisa foi realizada com pais, alunos, professores, diretores monitores e educadores comunitários nos meses de novembro e dezembro de 2007, após um ano do programa, que teve início em 2006.

Como o foco do programa sempre foi voltado a escolas com Baixo Índice de Educação Básica (Ideb) e em vulnerabilidade social, detectou-se que os estudantes dessas escolas passaram a ter mais acesso ao uso de computadores, por exemplo, assim como a prática de esportes ampliou.

Um dado importante detectado na pesquisa foi que com o programa, foi reduzida a participação de crianças em afazeres domésticos, fazendo-as focar mais nos processos de aprendizagem e diminuir o trabalho infantil doméstico.

Com a participação dessas crianças no programa, os dados da pesquisa mostraram que estas passaram a realizar mais atividades econômicas e menos atividades domésticas, o que mostra que uma política educacional pode interferir também em outros setores da sociedade.

Materiais e Publicações:

Acesse aqui um exemplo de parceria com universidade. 

Leia também o Bairro-escola Passo a Passo que narra o início da experiência.

Contatos 

Site da Prefeitura Municipal de Belo Horizonte: http://tinyurl.com/6ndkrlo 

Facebook: https://www.facebook.com/escolaintegrada

 

 

Voltar