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Ponto de Partida

Ponto de Partida

A Educação Integral compreende que os processos educativos devem garantir o desenvolvimento dos sujeitos em todas as suas dimensões - física, intelectual, social, emocional e simbólica. Para dar conta dessa tarefa, essa concepção propõe uma nova organização da política educacional de forma a garantir a ampliação da jornada e a diversificar de maneira qualificada a oferta educativa, tendo como horizonte a formação de sujeitos capazes de constituir seus projetos de vida com autonomia e responsabilidade pessoal e coletiva.

A escola pública universal orientada pela perspectiva integral da educação materializa o direito ao desenvolvimento pleno dos sujeitos em situação de igualdade preconizado na Constituição Federal e é condição para a própria democracia. Porém, o espaço escolar como tradicionalmente concebido não é suficiente para o conjunto de aprendizagens necessárias para que as crianças, adolescentes, jovens e adultos enfrentem os desafios da sociedade contemporânea. Aprendizagens estas que supõem novos arranjos educativos consonantes com o desafio de educar no século XXI.

Desse modo, a Educação Integral não é uma modalidade; é uma concepção e, para que esta possa ser traduzida em ações concretas nos municípios e estados, é fundamental que essa perspectiva orientadora se constitua como uma decisão de governo e não de uma secretaria. É determinante que a liderança do programa de Educação Integral seja assumida pelo prefeito ou governador, entendendo a educação como chave para o desenvolvimento do município ou estado.

Nesse sentido, a Educação Integral passa a ser não apenas uma proposta da secretaria de educação, mas uma diretriz de governo que orienta a aliança entre os diferentes setores do sistema público e da sociedade em um pacto coletivo pelo desenvolvimento humano e social.

Do ponto de vista da secretaria de educação, é fundamental mobilizar a própria rede para aderir à proposta. Uma perspectiva "de cima para baixo" não é capaz de criar as condições necessárias para que professores, gestores, famílias, estudantes e comunidades de fato se apropriem de sua responsabilidade no processo de construção de uma educação efetiva. Assim, é fundamental construir um diálogo produtivo, criar espaços para a produção coletiva da proposta e garantir a autonomia das unidades escolares para constituírem com suas comunidades seus projetos pedagógicos.

A gestão pode e deve subsidiar a rede com diretrizes, dados, formação, recursos e acompanhamento. Mas, como é nas escolas que a Educação Integral efetivamente acontece, o programa deve ser capaz de oferecer as condições técnicas e operacionais para que as crianças, adolescentes e jovens tenham garantidos sua aprendizagem e seu desenvolvimento integral. A operação deste processo deverá responder às características e escolhas da rede - em desenhos que partem da escola em tempo integral ou em arranjos educativos entre escolas e comunidades.

Para tanto, a plataforma Educação Integral Na Prática pretende oferecer mais do que conceitos. Dividida em dez dimensões - como currículo transversal e gestão intersetorial - o site apresenta aspectos estruturantes da concepção, execução e monitoramento e avaliação de um programa de Educação Integral e suas principais estratégias de desenvolvimento. Mais do que um modelo único, são oferecidos instrumentos que podem ser adaptados a diferentes modalidades de estruturação de escolas que possam responder ao desenvolvimento integral dos estudantes.

Cada território deve se apropriar deste referencial de forma coerente com as condições e perspectivas locais, partindo das práticas e experiências sistematizadas a partir do acúmulo que o Brasil já oferece. Nosso esforço foi o de pesquisar e organizar o instrumental desenvolvido no âmbito de redes, escolas e organizações e movimentos sociais brasileiros e responder com algumas alternativas à pergunta: “Como fazer?”

Bom trabalho! E não se esqueça de contar sua experiência, para que ela também seja registrada e possa compor e contribuir com esse trabalho.