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Infra e Recursos

Infra e Recursos

Promover o desenvolvimento integral significa que, para além da aquisição de conhecimentos formais, o processo educativo se ocupa de garantir o desenvolvimento das múltiplas dimensões dos sujeitos: física, intelectual, social, emocional e simbólica.

Aprender a se alimentar e a cuidar de seu corpo são parte tão importante do processo formativo quanto aprender a ler ou a contar. Aprender a circular na cidade de forma autônoma e acessar os diferentes espaços dentro e fora da escola é tão fundamental quanto saber escrever ou interpretar um texto.

Assim, o conceito de infraestrutura no contexto da Educação Integral não se restringe ao espaço escolar e nem tampouco às suas tradicionais estruturas. Nessa perspectiva, pensar em infraestrutura significa criar e manter condições adequadas para todos os espaços (de dentro e de fora das escolas) e tempos educativos (atividades, alimentação, higiene, circulação na cidade) articulados dentro da proposta.

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Dimensões da Infraestrutura na Educação Integral

Dessa forma, a infraestrutura na Educação Integral contempla distintos aspectos que são pensados a partir dos seguintes princípios:

Alimentação

  • A alimentação na Educação Integral deve ser pensada globalmente, considerando a procedência, qualidade e diversidade dos insumos e a adequação do espaço onde é preparado e oferecido o alimento;
  • Além disso, a alimentação na Educação Integral compreende não apenas o alimento em si, mas a aquisição de um comportamento saudável e autônomo em relação à comida: aprender a comer sozinho com talheres adequados e aprender a fruir o sabor dos diferentes alimentos convertem-se em objetivos pedagógicos.

Higiene e cuidado pessoal

  • Garantir insumos, espaço, tempo e orientação para a higiene pessoal é parte de um projeto de Educação Integral. O autocuidado na perspectiva da saúde e do bem estar é um aprendizado fundamental que exige intencionalidade educativa por parte do programa e dos educadores.

Acesso à cidade

Para a efetivação do acesso à cidade, como direito e dimensão fundamental do processo educativo, é preciso garantir condições para a mobilidade dos estudantes (calçadas em boas condições, sinalização de trânsito, acompanhantes, proteção para sol e chuva, bem como paradas estratégicas para beber água) não apenas no trajeto escola-casa, mas também entre a escola e os diferentes espaços da cidade.

Infraestrutura

Garantir condições físicas nas escolas e no território adequadas à Educação Integral, diferentes faixas etárias e padrões de acessibilidade como, por exemplo:

  • Mobiliário adequado para trabalho coletivo;
  • Acesso à internet e equipamentos digitais de qualidade;
  • Murais e materiais para comunicação interna;
  • Insumos e acessórios esportivos e artísticos;
  • Bibliotecas ou salas de leitura abertas à livre circulação da comunidade escolar, com acervo adequado ao segmento escolar;
  • Salas de recursos multifuncionais e especializados;
  • Áreas verdes e de convivência com espaço para intervenção dos estudantes;
  • Laboratórios equipados com materiais e mobiliário que privilegie a investigação científica e pesquisa;
  • Quadras e espaços para jogos e atividades lúdicas e;
  • Novas formas de sinalização do tempo, substituindo as sirenes por outros recursos mais adequados.

Interlocução escola-comunidade

Paralelamente, Os espaços das escolas e do território devem ser abertos para a livre circulação de toda a comunidade.

  • Atenção aos portões, grades e muros para que não limitem ou impossibilitem o diálogo entre escola e comunidade e a circulação de todos dentro da própria unidade de ensino.
Em Ipatinga (MG), quem escolhe como serão reformadas as escolas são os estudantes Em Ipatinga (MG), quem escolhe como serão reformadas as escolas são os estudantes
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Em Ipatinga (MG), quem escolhe como serão reformadas as escolas são os estudantes

A gestão democrática é considerada pelos especialistas como um dos elementos mais importantes na garantia de uma educação integral e de qualidade. Algumas perguntas que surgem quando o tema é esse são: como é possível aumentar a participação dos estudantes, tornando o ambiente escolar realmente participativo? Como é possível envolver professores, gestores, estudantes e famílias nas decisões do dia-a-dia da escola?

Ipatinga olhou para o orçamento da Secretaria Municipal de Educação e buscou uma forma de fazer melhorias nas escolas, fomentando a participação e estimulando o debate entre os estudantes. Por meio do Orçamento Participativo da Educação, o órgão separou parte das verbas para que as escolas da rede municipal decidissem, de maneira democrática, como queriam gastar a verba, em função daquilo que desejavam mudar em suas escolas.

Dois anos se passaram e os resultados já são vistos na maioria das 34 escolas da rede municipal. Na maior de todas, a Arthur Bernardes, os estudantes decidiram que queriam uma área de convivência e a melhoria da quadra de esportes. As duas obras foram concluídas e entregues.

Escolha Escola arthur Bernardes com novo espaço de convivência pedido pelos estudantes.

Escolha Escola Arthur Bernardes, em Ipatinga (MG), com novo espaço de convivência pedido pelos estudantes.

Um elemento fundamental do projeto foi a forma como todo esse processo foi conduzido. Em um primeiro momento, a Secretaria fez um processo de debates na escolas visando formar crianças, jovens e suas famílias para a participação e deliberação coletiva. Nessas discussões foram debatidos temas como o voto, como definir uma prioridade, o que é e como se faz uma assembleia, qual papel de um delegado e a importância de ouvir e defender posições.

Depois dessa formação, realizada com toda a comunidade escolar, os estudantes, em suas turmas, realizaram discussões sobre quais os principais problemas da instituição e do entorno. Elegeram duas prioridades do que deveria ser reformado ou construído e selecionaram dois delegados por sala para representar os estudantes na assembleia.

Depois dessa primeira fase, foram realizadas as assembleias, nas quais cada turma levou suas propostas. Depois, foi a vez de envolver os colégios próximos, em um debate sobre as necessidades e potencialidade daquele território, em assembleias regionais, para a qual foram enviados delegados. Juntos, eles definiram seis prioridades educativas e quatro para a cidade.

Por fim, toda rede se encontrou numa plenária final para debater a viabilidade técnica de suas propostas, junto à Secretaria de Educação. Os delegados e delegadas, de posse dessas informações, reorganizaram as demandas prioritárias e aprovaram um plano que deveria ser implementado na escola.

Resultados

No total, foram aprovadas a realização de 38 obras em escolas e regionais. Dois anos depois, foram entregues 29 e as demais estão em fase final. Foram construídos parquinhos, cobertura de quadras, rampas de acessibilidade, além de diversas reformas em pisos, banheiros e salas de aula.

Veja algumas fotos das obras que foram concluídas.

Parquinho na Escola Municipal Marcio Andrade Guerra

Parquinho na Escola Municipal Marcio Andrade Guerra

Reformas realizadas na Escola Municipal Preliminar Pato Donald

Reformas realizadas na Escola Municipal Preliminar Pato Donald

Quiosques construídos na Escola Municipal Nelcina Rosa de Jesus

Quiosques construídos na Escola Municipal Nelcina Rosa de Jesus

Parquinho construído na Escola Municipal Infantil Gente Inocente a partir do orçamento participativo.

Parquinho construído na Escola Municipal Infantil Gente Inocente a partir do orçamento participativo.

Programa "Tempo de Escola" de São Bernardo do Campo aproveita variados espaços da cidade Programa "Tempo de Escola" de São Bernardo do Campo aproveita variados espaços da cidade
Experiências
Programa "Tempo de Escola" de São Bernardo do Campo aproveita variados espaços da cidade

Iniciativa: Programa de Educação Integral de São Bernardo do Campo - Tempo de Escola

Pública ou Privada: Pública

Descrição: Além de ocupar papel de destaque no setor industrial e na cena sindical, o município de São Bernardo do Campo (SP) é nacionalmente conhecido por ter sido parte importante da história do skate no Brasil. Desde a década de 1980, o espaço reúne atletas de diversas localidades para campeonatos da modalidade.

Pensando em aproveitar esses e outros espaços da cidade na discussão de uma educação integral para as crianças do município é que, em 2010, a Secretaria de Educação de São Bernardo implementou o programa de Educação Integral Tempo de Escola em 37 unidades escolares, ampliando o horário de aulas e utilizando espaços locais que tinham potenciais educativos.

Programa Tempo de Escola/ Créditos: Secretaria de Educação de SBC

Tempo de Escola/ Créditos: Secretaria de Educação de SBC

Desde o início, o objetivo do programa foi mostrar que os processos de aprendizagem das crianças e  adolescentes do município podem ser intensificados a partir do dos insumos educativos - espaços e pessoas -, presentes na cidade. A Secretaria acredita que a educação se dá também fora dos muros da escola, incluindo as famílias e e os saberes construídos pela população local.

Em 2010, a secretaria passou a firmar parcerias com outras pastas, a fim de construir um projeto de educação que conversasse com as várias políticas públicas do município. As principais alianças se deram com as secretarias de esporte e lazer, cultura e desenvolvimento social e cidadania.

Nesse período, foi possível criar diálogo também com as empresas da região que já possuíam vínculo com algumas das secretarias, mostrando que muitas de suas práticas também poderiam ser incluídas em processos educativos. A articulação da secretaria deu tão certo, que foi possível utilizar até mesmo os espaços ociosos privados da cidade para ações educativas.

Reconhecimento dos educadores sociais

Um dos pilares do programa era a expansão do tempo dos estudantes em contato com a aprendizagem, sem que, para isso, fosse preciso confiná-los durante longos períodos apenas no prédio escolar. O projeto entedia, então, que a colaboração dos espaços já existentes ao redor das escolas seria de extrema importância para alcançar esse objetivo, já que muitos educadores e organizações sociais realizavam de forma exitosa atividades voltadas ao público do projeto.

Programa Tempo de Escola/ Créditos: Secretaria de Educação de SBC

Tempo de Escola/ Crédito: Secretaria de Educação de SBC

Crédito: Prefeitura de São Bernardo do Campo

Mas, reunir e mapear as diferentes organizações sociais que atuam em um município não foi tarefa fácil. Uma das estratégias da gestão municipal foi lançar um chamamento público no Diário Oficial do município, convocando os movimentos e organizações sociais a participarem do processo de seleção.

Após realizar visitas técnicas e avaliar a infraestrutura dos espaços e a relação que tinham com a comunidade local, foi firmada parceria com nove instituições. Essas entidades colaboram diretamente com as escolas, participam do projeto pedagógico e oferecem oficinas no contraturno das unidades.

Atualmente, são oferecidas oficinas diariamente ou, pelo menos, três vezes na semana com foco em três eixos: corpo e movimento, ludicidade e arte e cultura. A primeira abrange danças populares, balé, capoeira, danças de rua e modalidades esportivas, como o skate, Tae-kwon-do, handebol, natação, entre outros. A segunda área é focada em brincadeiras. E a terceira em formação musical e artes cênicas e plásticas.

A avaliação  Colaborativa

Outro diferencial do programa é o modelo de avaliação, que, desde sua implementação, se dá de forma colaborativa entre as diversas partes integrantes. Para isso, a Secretaria, em parceria com representantes das organizações e movimentos sociais parceiros, pais dos estudantes, professores, funcionários e alunos, elegeu os indicadores que constituiriam o monitoramento e avaliação de processos.

Na avaliação de aprendizagem das crianças e adolescentes, foram estruturados indicadores que iam além do cognitivo, considerando habilidades como respeito e solidariedade. Foi construído, ainda,  um indicador sobre a qualidade do programa, levando-se em consideração a opinião dos diversos públicos envolvidos na proposta.

Início e duração: junho de 2010 até os dias atuais.
Local: São Bernardo do Campo (SP)
Responsáveis: Secretaria Municipal de Educação de São Bernardo do Campo
Envolvidos e parceiros: Ministério da Educação (MEC), ONGs, Igrejas, Escolas do município,  Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária (Cenpec).
Financiamento: Secretaria de Educação e Mais Educação, por meio do PDDE.

Principais Resultados

Com o programa, a escola pôde interagir mais com a cultura local, ampliando seu currículo por meio das atividades das organizações parceiras. Outra grande conquista do projeto foi o reconhecimento e integração dos saberes da comunidade ao currículo escolar. Com isso, professores passaram a se envolver mais com a comunidade, admitindo em suas aulas que a construção acadêmica fosse associada aos saberes e cultura local.

Embora ainda esteja em processo de construção, a Secretaria de Educação entende que outro resultado positivo foi a articulação entre as diversas secretarias, objetivando, assim, que a educação integral de dê como uma política efetivamente intersetorial no município.

Materiais e Publicações

Veja aqui publicação sobre o Tempo de Escola.

Ginásio Experimental Carioca contempla as características da juventude atual Ginásio Experimental Carioca contempla as características da juventude atual
Experiências
Ginásio Experimental Carioca contempla as características da juventude atual

Iniciativa: Ginásio Experimental Carioca
Pública ou Privada: Pública
Descrição: O Programa Ginásio Experimental surgiu em 2011, quando a Secretaria

Alunos do GEC do Samba

Alunos do GEC do Samba

Municipal de Educação (SME) do Rio de Janeiro, ao perceber que a transição para a adolescência afetava diretamente a vida dos estudantes e fazia eles perderem o interesse nos estudos, resolveu transformar as práticas educativas dos jovens do 7º ao 9º ano do ensino fundamental. Um dos principais objetivos do programa é formar jovens autônomos, conscientes de seu papel na sociedade e ajudá-los a traçar projetos de vida.

O Programa foi desenvolvido pela SME em parceria com o Instituto Trevo e o Instituto de Corresponsabilidade pela Educação (ICE) e, na primeira etapa de implantação, dez escolas municipais foram escolhidas para virarem Ginásios Experimentais Cariocas (GECs).

A proposta de educação integral dos GECs prevê que os alunos estejam nas escolas das 8h às 16h; o currículo tem mais ênfase em Língua Portuguesa, Matemática, Ciências e Inglês, além de atividades que ajudam o aluno a construir um projeto de vida e a envolver-se em ações de protagonismo juvenil.

Além destas, os estudantes podem escolher entre matérias eletivas temáticas, que podem ser propostas à escola tanto pelos professores, quanto pelos próprios estudantes. Nela aprofundam-se temas da sala de aula e outros de interesse da juventude ou relacionados à região em que os ginásios estão inseridos.

A relação governamental é direta, na medida que o programa é um projeto do governo municipal e utiliza seus recursos para se manter e expandir. Hoje, 25 GECs compõe a rede municipal de ensino. Uma de suas principais estratégias de mobilização atuais é o Projeto Ressonância, no qual um grupo de professores dos GECs compila todas as práticas de aprendizagem exitosas e, em reuniões mensais com professores de escolas municipais da região, têm a oportunidade de apresentá-las para que possam ser replicadas.

Início e duração: O Programa Ginásio Experimental teve início em 2011 e permanece em atividade até hoje.
Local: Rio de Janeiro, RJ, Brasil
Responsáveis: Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro
Envolvidos e parceiros: Instituto TREVO e Instituto de Corresponsabilidade pela Educação (ICE)
Financiamento: Recursos do governo municipal
Principais Resultados: Além de melhoras nas notas dos alunos e diminuição da evasão escolar, o Ginásio Experimental Carioca foi um dos motivos que fez com que a nota no Ideb referente à cidade do Rio de Janeiro subisse 22% de 2009 para 2011 (de 3,6 para 4,4), deixando a capital fluminense entre as cinco melhores do país.

Materiais e Publicações:

Acesse a repotragem do Portal Aprendiz sobre o projeto, clicando em Ginásio Experimental Carioca incentiva jovens a ter projeto de vida.
Contatos
Heloísa Mesquita – Coordenadora dos GECs
heloisam@gmail.com
Blog: http://gecriodejeneiro.blogspot.com.br/
Facebook: https://www.facebook.com/gecanisioteixeira?ref=ts&fref=ts

 

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