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Formação Continuada

Formação Continuada

A Educação Integral instaura novas formas de gerir a escola e organizar currículos , o que requer a inserção de novos profissionais no grupo de educadores responsáveis pelo processo de ensino e aprendizagem das crianças e adolescentes.

Ao se planejar a formação dos trabalhadores da educação é preciso pensar, portanto, em todos os sujeitos envolvidos no programa – professores, gestores, coordenadores pedagógicos, educadores comunitários, oficineiros, monitores, funcionários – considerando seus diferentes perfis e contextos de atuação.

E. considerando que a Educação Integral pressupõe ações intersetoriais , é necessário que os processos de formação continuada incluam profissionais das áreas requeridas para compor a interdisciplinaridade pressuposta nesse debate: cultura, esportes, assistência social, inclusão digital, meio ambiente, planejamento urbano, saúde, entre outras.

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Para garantir que todos tenham acesso a tais oportunidades, as estratégias de formação devem ser contínuas e acontecer em serviço. Atividades de planejamento coletivo, avaliação e monitoramento, bem como momentos de estudo e troca de experiências, são momentos formativos e devem ser considerados na jornada de trabalho.

A formação deve contemplar aspectos pedagógicos e de gestão de forma interdependente. Conteúdos específicos de formulação e acompanhamento de projetos e de gestão intersetorial e comunitária devem ser incluídos no planejamento das atividades formativas, dando suporte aos educadores para que a escola se torne  articuladora dos potenciais educativos do território.

É importante cuidar também para que as estratégias de formação estejam alinhadas aos princípios da Educação Integral, favorecendo uma experimentação de novas formas de ensinar e aprender, e sempre partindo das concepções e práticas prévias dos educadores. A formação deve considerar aspectos gerais da educação integral, mas deve garantir também a dimensão local, considerando o contexto de cada território.

É importante ressaltar também que, embora a gestão seja responsável por garantir apenas a formação continuada dos profissionais da educação, o programa de Educação Integral pode contribuir com a formação inicial dos professores ao aproximar as escolas do ensino superior. A escola orientada pela educação integral representa um laboratório permanente para futuros profissionais da educação básica, permitindo trocas de experiências que podem contribuir para o aprimoramento de ambas as instituições – a escola e a universidade.

Saberes em Rede: programa quer fortalecer a atuação dos coordenadores pedagógicos Saberes em Rede: programa quer fortalecer a atuação dos coordenadores pedagógicos
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Saberes em Rede: programa quer fortalecer a atuação dos coordenadores pedagógicos

Em 2010, o Departamento de Orientação Educacional e Pedagógica (DOEP) da Prefeitura de Guarulhos recebeu uma demanda especial vinda do secretário: era preciso ofertar uma formação específica aos coordenadores pedagógicos da rede, para além daquelas já oferecidas às escolas. O pedido partiu de um entendimento que era preciso fortalecer esses agentes, visto o papel estratégico para o apoio ao fortalecimento do currículo e desenvolvimento do projeto político pedagógico nas instituições.

Leia +: Educação integral aponta para uma nova cultura escolar

Para começar a desenhar a proposta, a equipe organizou uma comissão de trabalho interna, para a qual foram selecionados, via concurso, cinco coordenadores já atuantes na rede municipal, constituída de 138 escolas incluindo as modalidades de creche, ensino infantil, fundamental e educação de jovens e adultos. A ideia central era promover um repensar da prática em função das capacidades requeridas, conduta essencial para o desenvolvimento da educação integral.

Processo dialógico

Foram muitas reuniões e planejamento até que se chegasse à proposta metodológica implementada em fevereiro de 2011 como o Programa Saberes em Rede. Para pensar as formações, a equipe da secretaria considerou a construção de um planejamento colaborativo, forma encontrada de pautar as formações a partir das demandas trazidas pelos próprios coordenadores. Desde então, os encontros formativos acontecem uma vez por semana e têm duração de quatro horas. Cada atividade é realizada por turma - são seis delas - nos turnos matutino, vespertino e noturno, este dedicado ao ensino de jovens e adultos.

No início, a temática das formações girou em torno do fortalecimento da identidade dos coordenadores pedagógicos. "Víamos que muitos deles eram novos na profissão e acabavam se perdendo ao tentar reconhecer qual era o papel que desempenhavam na escola", relembra a diretora do DOEP, Sandra Soria. Passado um tempo, o grupo percebeu que as temáticas nem sempre encontrariam os coordenadores no mesmo momento do percurso e que, portanto, eles deveriam sentir-se livres para escolher os pontos sobre os quais precisavam de apoio.

Em 2013, as formações passaram a se dar a partir de grupos de trabalho que se organizaram nos seguintes eixos: projeto político pedagógico, acesso e permanência dos estudantes, relações interpessoais na escola, valorização profissional, tecnologia na educação, como a criança aprende?, legislação a favor do desenvolvimento pedagógico, planejamento e metodologias. Os coordenadores passaram então a escolher o tema de interesse e sobre ele direcionar suas pesquisas e aprofundamentos, trilhando percursos formativos individuais.

Por uma atuação mais alinhada

Todo o trabalho realizado toma como base os eixos da Secretaria Municipal de Educação e o Quadro dos Saberes Necessários, a proposta curricular da rede. Para Sandra é fundamental que coordenadores e professores estejam alinhados a essas diretivas. "O coordenador tem entre suas funções a de ativar o currículo na escola e fortalecer o projeto político pedagógico e, para isso, precisa conseguir mediar um trabalho junto aos professores, como parceiro", defende.

Leia também: Educação integral e a articulação entre escola, comunidade e gestão pública

Para apoiar essa atuação, os próprios formadores da secretaria e os coordenadores eleitos para compor a comissão de trabalho interna recebem periodicamente consultoria de uma professora parceira Magali Silvestre, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), que traz reflexões e orientações ao grupo.

Principais resultados

Segundo Sandra Soria, já é possível ver o fortalecimento da identidade dos 179 coordenadores pedagógicos atendidos na rede, visto que eles passaram a ser considerados referência pelas escolas e se posicionam mais ativamente. O trabalho também contribuiu para um mudança significativa no contexto da organização municipal que antes contava com um único coordenador por escola. A valorização da atuação fez com que cada escola tenha um coordenador para o ensino infantil, um para o ensino fundamental e um para o EJA.

A formação também contribui para o momento para o qual a rede municipal está organizada: o de construir os projetos políticos pedagógicos das escolas, trabalho realizado sob a assessoria do professor e consultor Celso Vasconcellos, e para o qual o coordenador pedagógico tem muito a contribuir, ao lado de professores e gestores. A partir da metodologia do planejamento participativo, as escolas estão produzindo diagnósticos sobre aprendizagem, estrutura das unidades e perfil dos estudantes, com apoio da comunidade escolar e abertura ao território.

Por meio de plataforma online, TEIA da UFMG forma educadores em educação integral Por meio de plataforma online, TEIA da UFMG forma educadores em educação integral
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Por meio de plataforma online, TEIA da UFMG forma educadores em educação integral

Iniciativa: Curso de Aperfeiçoamento: “Educação Integral e Integrada” / Universidade Aberta do Brasil – Modalidade a Distância

Pública ou Privada: Pública

Descrição: "O que significa construir uma educação integral? A quem se destina essa educação?" Essas são algumas das  primeiras perguntas que os estudantes do curso a distância focado em Educação Integral e Integrada da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) se deparam. Criado em 2010, pelo TEIA – Territórios, Educação Integral e Cidadania, núcleo de Educação Integral da universidade, o curso já formou 480 educadores e demais envolvidos em programas  dos municípios de Confins, João Monlevade, Juiz de Fora, Ipanema e Uberlândia, em Minas Gerais.

Destinado à formação de gestores educacionais, professores do ensino básico, assim como de agentes culturais, oficineiros e monitores que atuam com programas e escolas de educação integral, o grande objetivo  do curso é capacitar esses profissionais no desenvolvimento de práticas ligadas ao tema em seus municípios. Os participantes se inscrevem e são selecionados por edital público para participar da formação que é totalmente gratuita.

Polo João Monlevade. Crédito: TEIA/UFMG

Polo João Monlevade. Crédito: TEIA/UFMG

As aulas acontecem pela internet, por meio da plataforma Moodle, e têm acompanhamento de tutores. Ao cumprir os seis módulos da formação, o participante recebe a titulação de ter participado de Curso de Aperfeiçoamento/Atualização em Educação Integral e Integrada, emitido pela universidade. Existem ainda polos presenciais de apoio, nos quais os participantes podem acessar presencialmente seus tutores e participar das atividades usando os computadores do espaço.

Além da formação online, os participantes participam de três encontros presenciais, nos quais os participantes realizam trocas de experiências e vivências a partir do que foi discutido no ambiente virtual.

Pensando na formação do professor do século XXI, as aulas também apresenta como os meios digitais podem colaborar nos processos de aprendizagem em diversos campos do conhecimento, promovendo, assim, a inclusão digital desses educadores.

As aulas buscam aguçar o senso crítico dos estudantes-educadores, a partir de disciplinas que incentivam os participantes a levarem a discussão sobre a Educação Integral para dentro de suas escolas.

Crédito: TEIA/UFMG

Polo Confins. Crédito: TEIA/UFMG

As aulas fomentam ainda a participação de toda a comunidade escolar na implantação de programas integrais de educação, mostrando que para que o projeto dê bons frutos, é preciso construir, de forma conjunta, as estratégias pedagógicas em cada escola, assim como desenvolver ferramentas e espaços que garantam a gestão democrática da instituição.

O curso tem colaborado também para a produção de materiais voltados para que as escolas possam desenvolver um currículo integral, ultrapassando a ideia de turno e contraturno. Já foram confeccionados seis livros com o material didático utilizado durante as aulas, trazendo a história da Educação Integral no Brasil, as principais correntes e pensadores que a conceituaram e as políticas públicas implementadas.

O conteúdo aponta ao estudante a importância de se conhecer e se apropriar da realidade que circunda a escola onde pretende desenvolver o projeto, incentivando a investigação e mapeamento do território.

Os interessados podem também acessar as aulas em vídeo no Canal do TEIA no Youtube na lista Rodas de Conversa: Videoaulas EII UAB. Os vídeos apresentam discussões sobre  o tempo e o espaço da Educação Integral, o currículo escolar, como lidar com as diversas culturas, respeitando a identidade dos sujeitos que fazem parte do processo e como realizar a normatização, gestão e intersetorialdiade das políticas voltadas à Educação Integral.

Início e duração: Até o momento oram realizadas duas edições. A 1ª edição aconteceu de junho a dezembro de 2010 e a 2ª , de março a setembro de 2013. Os cursos tiveram de 180 horas cada.

Local: Participaram estudantes de Confins, João Monlevade, Juiz de Fora, Ipanema e Uberlândia, em Minas Gerais. Os polos presenciais estão em Confins e em João Monlevade.
Responsáveis: Curso realizado pelo Núcleo Territórios, Educação Integral e Cidadania (TEIA) com o apoio do Centro de Apoio à Educação a Distância (CAED?UFMG).
Envolvidos e parceiros: Universidade Aberta do Brasil (UAB), Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Universidade FUMEC de Minas Gerais, Ministério da Educação (MEC), Secretaria de educação Continuada Alfabetização, Diversidade e Inclusão (SECADI), Centro de Apoio à Educação a Distânicia (CAED).
Financiamento: Ministério da Educação (MEC).

Principais Resultados

Um dos maiores ganhos do curso foi apresentar aos estudantes que há outras formas de ensino, que vão além das práticas desenvolvidas dentro da unidade escolar. Com o curso, os professores passaram a se comunicar mais com as organizações e lideranças sociais ao redor de suas respectivas instituições de ensino, enxergando esses espaços também como propositores e coautores de dinâmicas educativas.

O curso fomentou o intercâmbio de informações entre territórios diferentes, fazendo os estudantes debaterem e entenderem o sentido de uma cidade educadora, na qual toda sociedade se reorganiza com um fim educativo. Juntos, os estudantes perceberam e trocaram informações sobre como estimular que diversos atores sociais se percebam como educadores e sobre como acessar os locais de educação não-formal como aliados da escola nos processos de ensino e aprendizagem junto aos professores e estudantes.

Além desses pontos, a partir da organização do curso, o próprio Núcleo sentiu a necessidade de sistematizar metodologias, em cadernos que, hoje, podem ser acessados por qualquer pessoa interessada. Os livros podem ser acessados aqui.

Contatos
Site: http://teiaufmg.com.br/uab/
Endereço: Núcleo TEIA: sala 1667 / FAE / UFMG
Telefone: (31)3409-7462 ou (31)3409-5526
E-mail: teiaeducacaointegraluab@gmail.com

Curso "Múltiplos Saberes" da UFPE atua na formação de agentes em Educação Integral Curso "Múltiplos Saberes" da UFPE atua na formação de agentes em Educação Integral
Experiências
Curso "Múltiplos Saberes" da UFPE atua na formação de agentes em Educação Integral

Iniciativa: Múltiplos Saberes – Curso de Extensão de Formação Continuada em Educação Integral e Integrada

Pública ou Privada: Pública

Descrição: O Curso de Extensão em Educação Integral e Integrada “Múltiplos Saberes”, desenvolvido gratuitamente pela Faculdade Federal de Pernambuco (UFPE), pretende fomentar a formação e mediação entre saberes acadêmicos e populares, com a proposta de articular três elementos: a escola, a universidade e a comunidade.

O curso nasceu a partir da relação estabelecida entre a UFPE e a comunidade do entorno, por meio do Projeto Conexões de Saber, do Ministério da Educação (MEC), que pretendia articular instituições universitárias a comunidades populares, para a realização de trocas de saberes e experiências.

Dessa aproximação com os educadores populares, abriu-se espaço também para a UFPE interagir com programas como o Escola Aberta e com o Mais Educação, programa indutor de uma política nacional de Educação Integral .

Nesse processo de interação, a UFPE firmou uma parceria com a Secretaria de Educação Básica e com o MEC, na formulação de um curso de extensão em Educação Integral que atendesse os diversos os agentes atuantes nos programas de Educação Integral. Foi desenvolvido assim o Múltiplos Saberes.

O curso de extensão busca construir uma relação de diálogo entre todos os atores que possuem relação com a escola e a comunidade, no intuito de melhorar a qualidade da educação no local onde as escolas se encontram.

Para tanto, aplica-se o método de “pesquisa-ação”, no qual procura realizar uma atividade conjunta de compreensão da realidade da escola e da comunidade onde ocorrem as práticas educativas, incentivando a reflexão sobre experiências de Educação Integral e promovendo a valorização e ressignificação do processo de aprendizagem. A carga horária do curso é dividida entre encontros pedagógicos nas escolas (96h), fóruns de educação na UFPE (24h) e estudos, produções e avaliações (56h).

Participam, de forma gral, educadores comunitários, coordenadores de programas, gestores escolares, oficineiros e monitores de programas, educadores populares, professores universitários, profissionais de produção audiovisual, estudantes de licenciatura, professores formadores, estudantes universitários e profissional de secretariado.

Com importante participação no processo, os alunos das licenciaturas da UFPE vêm da rede pública e atuam como mediadores pedagógicos orientando e acompanhando os cursistas nas atividades de formação nas escolas.

Na primeira edição do curso, participaram ao todo 200 participantes, em 28 escolas dos municípios de Recife, Camaragibe, Jaboatão dos Guararapes, Paulista, São Lourenço da Mata e Abreu e Lima, todos em Pernambuco. A Universidade prepara agora uma reedição do curso pensando reformulações a partir das dificuldades e aprendizagens encontradas na experiência piloto.

Início e duração: 2012, em atividade até os dias atuais. A próxima edição do curso ainda não foi divulgada.
Local: Camaragibe, Jaboatão dos Guararapes, Paulista, São Lourenço da Mata e Abreu e Lima, todos em Pernambuco.
Responsáveis: Universidade Federal de Pernambuco
Envolvidos e parceiros: Fundação Joaquim Nabuco, Comitê Territorial de Educação Integral de Pernambuco, Pró- reitoria de Extensão da Universidade Federal de Pernambuco, Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE) e Ministério da Educação (MEC).

Financiamento: O curso é financiado por meio de um termo de convênio entre a Pró reitoria de extensão da UFPE e a Secretaria de Educação Básica do Ministério da Educação (MEC).

Principais Resultados: Um dos principais resultados do curso de extensão foi o de fomentar práticas pedagógicas que envolviam a escola, comunidade e universidade em sujeitos que não estavam adaptados a essa realidade. Como resultado efetivo, há experiências de mapeamento e reconhecimento de área, como a que ocorreu na Escola Municipal Cônego Costa Carvalho (Maranguape –PE), no qual pôde ser constatado a falta de assistência pública e o alto índice de violência, sendo que 90% dos alunos da escola eram alunos do bairro.

Ocorreram também encontros e vivências nas comunidades, aproximando as populações dos projetos escolares. Aconteceram diversos eventos artísticos, de grafite, de teatro, rodas de contação de história em espaços públicos.

Materiais e Publicações:

Fórum realizado pelo Curso de Extensão Múltiplos Saberes:

Apresentação da profª. Ana Emília de Castro na "Série de Diálogos – O Futuro se Aprende: Educação Integral”, do Instituto Inspirare/Porvir e do Instituto Natura, na ocasião do lançamento do Centro de Referências em Educação Integral.

Contato:

E-mail: Ana Emília Castro- aemilica@yahoo.com.br (Coordenação do curso)

Site: http://cursomultiplossaberes.wordpress.com/

 

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