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Comunicação e Alianças

Comunicação e Alianças

Ao compreender a educação das novas gerações como uma tarefa coletiva, um programa de Educação Integral deve mobilizar os diversos segmentos da sociedade para conhecer, discutir e construir sua proposta. A adesão desses diferentes grupos é efetivamente o primeiro - e possivelmente o mais importante - passo para a sua implementação.

Para tanto, é preciso estabelecer pactos permanentes e contínuos com os diferentes segmentos da sociedade, buscando que cada um se comprometa, entendendo e assumindo seus respectivos papeis e tarefas.

Como apresentado no eixo Ponto de partida, a decisão inicial deve ser sustentada pelo prefeito ou governador, garantindo apoio à articulação entre a Secretaria de Educação e os demais órgãos e os recursos necessários para a implementação das ações.

Assim, o proponente ou grupo de proponentes do programa de Educação Integral precisa desenhar uma proposta inicial, que congregue valores e premissas caros à gestão e que respondam às demandas educacionais do município ou estado. Em seguida, é fundamental discutir esse desenho com os diversos setores da sociedade, incorporando – de forma dialógica - suas críticas e sugestões.

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Diálogo como pressuposto da construção coletiva

Ao mesmo tempo, vale lembrar que a estruturação de um programa de Educação Integral depende necessariamente da corresponsabilização de segmentos que tradicionalmente não dialogam com a pasta da educação. São eles:

  • os diferentes setores e departamentos da secretaria de educação, sendo que idealmente, o programa deve se constituir como carro-chefe de todas as ações de educação do município;
  • as secretarias e órgãos governamentais, incluindo os setores de transporte, infraestrutura e orçamento;
  • as escolas, incluindo seus diretores, professores, funcionários, estudantes e seus familiares;
  • a comunidade no território das escolas, representada por lideranças comunitárias, associações, serviços públicos, organizações sociais locais, entre outros segmentos e grupos do território;
  • as organizações da sociedade civil de referência em educação integral, cultura, assistência social, esporte, lazer e saúde; as instituições de ensino superior, convocando tanto as áreas de graduação, quanto as de pesquisa e extensão;
  • as instâncias de participação e conselhos de direitos, incluindo fóruns locais, conselhos escolares de educação, associações de pais e mestres e conselhos municipais;
  • e, por fim, a população como um todo, buscando que a educação integral efetivamente seja um horizonte compartilhado pela sociedade em seus diferentes campos de atuação.

Esse processo – de mobilização e articulação dos diferentes setores – não apenas é uma estratégia necessária para construção do programa junto à sociedade, como também um percurso formativo para todos os envolvidos.

Como o processo de articulação almeja conquistar a adesão dos diferentes públicos, é necessário criar canais de participação efetivos para os diferentes segmentos, em diferentes estágios de envolvimento com a proposta, garantindo espaço e momentos para:

  • sensibilização em relação a concepção de educação proposta pela Educação Integral; apresentação de outras experiências de Educação Integral no município, em outras cidades e países;
  • apresentação das diretrizes gerais da proposta de Educação Integral; negociação do papel daquele público no programa, levantando possibilidades de contribuição para o programa;
  • construção de estratégias e formas para o trabalho coletivo e colaborativo dos diferentes envolvidos.

Como em qualquer proposta que visa agregar um grande número e diversidade de atores, os processos de articulação e comunicação com os diferentes públicos devem se dar continuamente, respeitando os tempos e possibilidades da equipe envolvida. Tendo a Secretaria de Educação, escolas e órgãos governamentais como ponto de partida, os públicos podem e devem ser mobilizados em etapas processuais, convocando, inclusive, segmentos já sensibilizados para apoiar nessa tarefa. Ao mesmo tempo, as escolas – uma vez sensibilizadas – devem articular seus próprios processos participativos e de comunicação com as suas comunidades internas e externas.

Para tanto, é preciso investir em diretrizes gerais para a comunicação, buscando que sejam objetivas e adequadas para cada público. O instrumento utilizado para comunicar a proposta aos secretários de governo não necessariamente funcionará para discutir com as escolas ou com as famílias.

Da mesma maneira, os instrumentos, canais e espaços de participação devem ter caráter democrático, respeitando e valorizando a diversidade dos presentes; afinal, a corresponsabilidade só se constrói no exercício da participação.

Política educacional de Maracanaú (CE) se molda em diálogo com os direitos humanos Política educacional de Maracanaú (CE) se molda em diálogo com os direitos humanos
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Política educacional de Maracanaú (CE) se molda em diálogo com os direitos humanos

A "emancipação humana" é citada como principal diretriz da política educacional de Maracanaú. O território cearense foi reconhecido em 2014 com o primeiro lugar no Prêmio Nacional de Educação em Direitos Humanos, na categoria "As Secretarias de Educação na Construção de Educação em Direitos Humanos", uma iniciativa do Ministério da Educação (MEC), a partir da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão (SECADI) em conjunto com a Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República – SDH/PR.

Na perspectiva da Secretaria Municipal de Educação (SME) de Maracanaú, o trabalho parte de um reconhecimento de que há setores sociais marginalizados pelas políticas e volta esforços essencialmente à inclusão desses indivíduos, caso dos negros, mulheres, pessoas com deficiência e comunidade LGBTT (lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais).

Partindo do contexto escolar

Os programas alinhados à promoção dos direitos humanos tomam como diretriz os próprios desafios colocados pela rede escolar com 90 escolas que atendem a educação infantil e ensino fundamental e somam cerca de 45 mil estudantes. Segundo a SME, o principal objetivo é adotar um plano de ações em consonância com a humanização do ensino, a valorização dos trabalhadores da educação e a integração da comunidade.

Outros são os compromissos assumidos pela Secretaria de Maracanaú no propósito de ofertar uma educação emancipadora: colocar em prática um modelo de gestão democrática e participativa; garantir o acesso a permanência e o sucesso do percurso educacional; ofertar um projeto de educação comprometido com a transformação social; fortalecer o senso de coletividade, companheirismo, compromisso e cooperação; valorizar a cultura local e os demais contextos em que se insere a população; garantir serviços educacionais, culturais e desportivos com qualidade e equidade proporcionando a formação a partir de um projeto inovador e criativo, em ambientes democráticos e alinhados à valorização humana.

Por uma formação integral

Tudo isso também integra a política de ampliação de jornada escolar de Maracanaú, desenhada em 2013, que tem como propósito a oferta de novas formas de interação aos estudantes, para que eles se apropriem dos conhecimentos, ampliem suas experiências e se reposicionem quanto à sua inserção social, em uma perspectiva de desenvolvimento integral.

Tal orientação toma como pressuposto a formação de um sujeito de direitos, relacionando o direito de aprender ao direito à vida, à saúde, à liberdade, ao respeito, à dignidade e à convivência familiar e comunitária. Essa diretriz é vista como condicionante ao desenvolvimento de uma sociedade republicana e democrática. Por isso, há um cuidado para que as práticas pedagógicas e seus processos de planejamento reflitam essa perspectiva.

Nesse sentido, a rede internalizou o repensar do currículo escolar que passa a se estruturar a partir de duas dimensões: a formação básica, que atende às Diretrizes Curriculares Nacionais, e as atividades formativas (AFs) que consideram outras aprendizagens e tomam como base o Art. 32 da Lei nº9394/96.

Além de valorizar o aluno e seus conhecimentos prévios no processo de ensino aprendizagem, a ideia é também orientá-lo para outras questões, como reconhecimento e valorização da diversidade, tomada de decisões, vivências e responsabilidades, ampliando as estratégias de construção de conhecimento a partir de recursos que dialoguem com a vida desses estudantes.

Formar integralmente

Todas as diretrizes da política de ampliação da jornada escolar de Maracanaú podem ser contempladas na publicação "Formar integralmente: rumo às ações transformadoras", que cumpre o papel de manual para organização dos tempos, espaços e relações entre educadores nas escolas.

As áreas do conhecimento contempladas pela estrutura curricular são: Linguagens e Códigos e suas Tecnologias, Ciências Humanas e suas Tecnologias, Matemática, Ciências da Natureza e suas Tecnologias. Estas áreas estão integradas a dez macrocampos: acompanhamento pedagógico, educação ambiental e desenvolvimento sustentável, esporte e lazer, educação em direitos humanos, cultura, artes e educação patrimonial, cultura digital, promoção da saúde, comunicação e uso de mídias, investigação no campo das ciências da natureza e educação econômica/economia criativa. O acompanhamento pedagógico é obrigatório para todos os estudantes, que ainda devem cursar de três a seis macrocampos.

A avaliação também busca uma forma mais humana. Ela se centra sobre o desempenho do aluno de forma contínua, progressiva e contextualizada, abarcando todos os momentos do percurso educativo. Também são pensados instrumentos que fundamentem a autoavaliação e  a avaliação entre os pares, com participação de alunos e professores.

 

Alguns programas, ações e compromissos da Secretaria Municipal de Educação ancoram as diretrizes políticas pensadas para o território. Elas envolvem toda a comunidade, fazendo com que as escolas ampliem a sua atuação para além de seus muros, também em diálogo com os demais atores do município.

A formação de gestores é uma prática que ocorre mensalmente como uma estratégia para intensificar as habilidades gestoras e aproximar o trabalho da Secretaria de Educação com as escolas. Também são realizados encontros para discutir alternativas tendo em vista a qualificação do processo educacional, além de seminários com educadores ou técnicos convidados.

A formação continuada é vista como fundamental para promover a construção da Cultura de Paz nas escolas, um dos principais objetivos do projeto político pedagógico da rede municipal. A ideia, segundo a SME, é promover um ambiente de amizade e respeito no ambiente escolar e ampliá-lo para a comunidade do entorno. A mesma perspectiva é direcionada às políticas de inclusão. O trabalho é para o reconhecimento e valorização da diversidade. Por isso, a proposição de práticas colaborativas e o fomento à redes de apoio à inclusão, com participação da comunidade.

Para ampliar as possibilidades educativas dos alunos, anualmente, os estudantes do6º ao 9º ano participam da Conferência Infanto-juvenil do Meio Ambiente. Eles são envolvidos em reflexões e discussões sobre temáticas como mudanças climáticas, biodiversidade, diversidade étnico-racial e segurança alimentar e nutricional. A ideia é que eles apontem alternativas para solucionar algumas problemáticas e gerem relatos e projetos a partir do que pesquisaram. Esses projetos são enviados para a Secretaria de Educação do Estado que seleciona, em todo o Ceará, 25 representantes para participar da Conferência Nacional, realizada a cada 3 anos, em Brasília.

Toas as ações, segundo a Secretaria Municipal de Educação (SME) contam com planejamento participativo desde a sua concepção. Inicialmente, as comunidades educacionais foram colocadas em contato com as propostas e, em um segundo momento, se contemplou o diálogo com associações, sindicatos, conselhos, órgãos públicos e demais membros da sociedade a partir de reuniões de trabalho.

Desafios a longo prazo

O município de Maracanaú teve o seu Plano Municipal de Educação (PME) aprovado em 2012 pela lei Lei 1862/2012, válida até 2021. Estão entre as diretrizes a erradicação do analfabetismo, a universalização do atendimento escolar; a superação das desigualdades educacionais, melhoria da qualidade de ensino; formação para o trabalho; promoção da sustentabilidade sócio-ambiental; promoção humanística, científica e tecnológica do país; estabelecimento de meta de aplicação de recursos públicos em educação como proporção do Produto Interno Bruto (PIB); valorização dos profissionais de educação; e difusão dos princípios de equidade, do respeito à diversidade e a gestão democrática da educação.

São 19 metas que norteiam o planejamento das estratégias territoriais de Maracanaú para uma educação igualitária, equânime e de qualidade.

Em Novo Hamburgo, diferentes caminhos da educação integral buscam garantir a aprendizagem Em Novo Hamburgo, diferentes caminhos da educação integral buscam garantir a aprendizagem
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Em Novo Hamburgo, diferentes caminhos da educação integral buscam garantir a aprendizagem

A educação integral no município de Novo Hamburgo começou a partir de uma problemática comum a todo o Brasil: os baixos níveis de aprendizagem dos estudantes. A gestão da cidade colocou como central o tema para que a rede municipal garantisse que todos ­estudantes pudessem aprender, buscando equidade nos processos de ensino e aprendizagem e a educação como um direito de cada indivíduo.

Como resposta, a gestão municipal, em diálogo com as unidades de ensino, decidiu apostar em uma proposta de educação integral, partindo de quatro eixos complementares e indissociáveis: a interlocução do poder público para o atendimento das necessidades dos estudantes e comunidades, a diversificação de oportunidades de aprendizagem e extensão da jornada escolar; o incentivo à participação discente e das famílias na gestão das escolas e a formação docente para qualificar os processos de ensino e aprendizagem na perspectiva do desenvolvimento integral do estudante.

Pesquisa Socioantropológica

Metodologia de pesquisa em que a comunidade é convidada a analisar sua própria realidade, buscando, a partir dos dados promover uma transformação social, em benefício das próprias pessoas que dela participam.

Mas, antes de tudo, foi preciso entender a situação geral das escolas e estudantes, buscando conhecer melhor a realidade de suas comunidades. Assim, em 2009, cerca de 2.000 pessoas, entre professores e funcionários das escolas, foram conhecer as casas e as comunidades das crianças e adolescentes. Desde então, a chamada Pesquisa Socioantropológica se repete duas vezes por ano, a fim de aprimorar os processos e monitorar os avanços da proposta. “O objetivo é conhecer a condição real de vida dos alunos e trabalhar com um ensino mais contextualizado. É um elemento fundamental que orienta toda nossa ação”, explica o secretário municipal de Educação, Alberto Carabajal, à frente da pasta há duas gestões.

Os diagnósticos realizados a partir das pesquisas possibilitaram que as escolas passassem a construir metodologias e conteúdos mais adequados à realidade dos estudantes. Além disso, a visita permitiu que as instituições de ensino entendessem melhor o contexto familiar e percebessem questões que interferiam na aprendizagem do estudante, mas que extrapolavam suas atribuições.

Em diálogo com o poder municipal, foi possível acionar outras áreas da gestão pública, como assistência social e saúde, para atender adequadamente os estudantes e famílias que necessitavam de apoio. Embora um desafio, a interlocução entre as áreas segue como um ponto fundamental do programa de educação integral na cidade, reunindo os diferentes representantes em fóruns periódicos para discutir as necessidades das diferentes comunidades e escolas.

Educação em novos espaços      

O programa de educação integral de Novo Hamburgo tem como principal objetivo ampliar as oportunidades educativas dos alunos, assim como os locais de aprendizagem e também os atores envolvidos no processo. "Trabalhamos a educação integral como ampliação e qualificação dos tempos e espaços escolares”, apresenta Alberto.

Os cerca de 12 mil alunos do programa se dividem em dois tipos de escola. Na primeira, em que o Mais Educação é o carro-chefe, os estudantes possuem carga horária de sete horas nos cinco dias da semana. Há uma ampliação do tempo e dos espaços educativos dentro da própria rede: o Núcleo de Apoio Pedagógico, Laboratório de Aprendizagem, Ateliê Livre (música, dança e teatro), Salas de recursos multifuncionais, ginásios e quadras esportivas estão entre as opções de espaços que os estudantes frequentam e acessam novas oportunidades de aprendizagem.

Outros seis mil alunos possuem jornada ampliada em dois ou três dias da semana e em espaços fora da escola, vencendo o problema da estrutura física tão comum em outras redes e ampliando o diálogo dos estudantes com o território em que vivem.

Assim, em cada localidade há parcerias com diferentes organizações que recebem os alunos para atividades, como clubes esportivos, igrejas, centros de tradições gaúchas, associação de moradores, escolas de samba. A secretaria de educação supervisiona pedagogicamente essas atividades e oferece apoio financeiro aos parceiros.

O esforço de articulação com a comunidade passa também pela aproximação com as famílias. A gestão municipal incentiva o envolvimento e a participação dos familiares dos estudantes nas instituições de ensino. Regularmente, as escolas promovem mostras culturais e ofertam serviços para a comunidade, como apoiar o cidadão a tirar carteira de trabalho ou adoção de animais, entre outras atividades que podem surgir em cada localidade, de acordo com suas demandas e características.

Gestão escolar

Para além deste entrosamento mais pontual, a participação das famílias na gestão escolar foi fortalecida.  Os diretores de cada unidade de ensino agora são eleitos de maneira direta pelo voto de mães e pais, e também de professores, funcionários e alunos com mais de 12 anos. As escolas também abriram mais espaço para as associações de pais que em algumas localidades são bastante fortes e acompanham de perto o cotidiano escolas. "Os pais participam muito destes grupos e, inclusive, levantam recursos para a escola e ajudam na sua manutenção."

Neste processo da escola se abrir para as famílias, as associações de pais se fortaleceram e consequentemente a comunidade escolar. “Nas escolas com grande participação dos pais é onde os índices de aproveitamento são melhores”, aponta o secretário.

Formação de professores

A estruturação do programa de educação integral passou também pela capacitação e valorização dos educadores. Os professores recebem formação continuada da secretaria e também das universidades da região e incentivos para realizar um curso superior ou a pós-graduação.

O município mantém também capacitações específicas como música, meio ambiente e tecnologia educacional, a fim de diversificar o aprendizado e as habilidades dos docentes envolvidos no processo pedagógico, convidando-os a ter em suas atividades abordagens interdisciplinares e contextualizadas.

Principais resultados

Criado há cinco anos, o programa de educação integral de Novo Hamburgo já dá frutos. O secretário de educação destaca a melhoria da aprendizagem, que tem se refletido no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), que superou a meta para 2013, e na socialização e participação dos estudantes na escola e na comunidade.

A relação entre escola e família assim como a diálogo dessas na vida escolar também se aprimorou. Alberto relata que as instituições se fortalecem com o apoio da comunidade: “O programa ajuda a derrubar os muros e a proteger com muros invisíveis por que quanto mais querida a escola for, mais protegida estará.”

 

Em Apucarana (PR), Educação Integral foi programa e lei municipal Em Apucarana (PR), Educação Integral foi programa e lei municipal
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Em Apucarana (PR), Educação Integral foi programa e lei municipal

Iniciativa: Apucarana, cidade educação

Pública ou Privada: Pública

Localizada ao norte do estado do Paraná, a cidade de Apucarana fica a 369  quilômetros da capital Curitiba. De 2001 a 2013, a cidade ganhou um bordão de destaque: Apucarana, Cidade Educação. Isso porque, no período de mais de dez anos, a Educação Integral virou a principal bandeira da gestão pública, que, na época institucionalizou uma lei que oferecia aula em tempo integral para todos os estudantes do 1ª a 4ª séries do ensino fundamental da rede municipal. Em 9 de outubro de 2013, a atual gestão municipal de Apucarana revogou a lei da Educação Integral e retirou o slogan que então definia as ações do poder público. Contudo, independentemente da sua revogação, a política, legislação e 'slogan' de Apucarana permanecem como um marco na história do país e ainda serve de referência a gestores e programas municipais e estaduais de educação.

Lei nº 090/01, que dispõe sobre a Educação Integral: 

"É instituído na rede municipal de ensino de Apucarana, o regime de Tempo Integral para as séries iniciais do Ensino Fundamental. Art. 2º – O regime de Tempo Integral obedecerá ao horário das 7h 30min às 17h, permanecendo o aluno na escola, no horário do almoço, que será oferecido no próprio estabelecimento e fará parte integrante das atividades pedagógicas. Art. 3º – O regime ora estabelecido não é facultativo, devendo o aluno participar das atividades acadêmicas programadas para toda a jornada escolar, estando sujeito às sanções previstas. (Veja aqui)."

A política de Apucarana

A partir da lei, a Educação Integral passou a ser considerada o foco de todas as políticas públicas da cidade, criando diálogo com as pastas da saúde, segurança, assistência entre outras.

Um dos primeiros passos na realização do projeto, foi sensibilizar a equipe que fazia parte da gestão do município, mostrando que a educação deveria ser a prioridade do planejamento de recursos aplicados.

Após essa conscientização, a prefeitura firmou um pacto com as principais lideranças locais, organizando as ações do poder público e de parceiros das comunidades em quatro grandes temas: educação; responsabilidade social (que exigiu, por meio de lei, que todas as empresas que participavam de licitações da prefeitura tivessem projetos sociais e ambientais); vida (ações de combate e prevenção à violência e aos vícios); e cidade saudável (ações voltadas à renda das pessoas simples, aliadas à prevenção em questões de saúde e do meio ambiente). No entanto, o campo da educação funcionava como espécie de guarda-chuva das atividades, já que todos que subscreveram o pacto enxergava na educação o caminho para desenvolver as demais políticas sociais.

Para a continuidade do diálogo entre prefeitura e movimentos da sociedade civil organizada, foram criadas 26 células comunitárias - pequenos grupos reunindo moradores para discutir o projeto de Educação Integral da cidade. As escolas municipais foram escolhidas, estrategicamente,  como ponto de encontro das células de discussão, para fomentar a relação entre escola e população como um todo, fazendo com aquilo que se aprende na escola, se aplique na vida da sociedade e vice-versa.

Logo em seguida, foi realizado um mapeamento para identificar onde estavam os espaços ociosos da cidade. Assim, na falta de espaços exclusivos destinados à educação, as igrejas e clubes locais passaram a disponibilizar seus próprios salões e quadras, construindo as bases para uma cidade, de fato, educadora.

As 26 células criadas na etapa anterior, obtiveram papel crucial no processo de articulação com os diversos setores da população local, já que, a partir delas, nasceu a consciência de que uma educação integral não poderia ser concretizada apenas alargando-se o tempo das crianças dentro da escola.

Currículo

Após essa interlocução junto à comunidade, na qual os estudantes, professores e familiares também foram inclusos, foi dado início a um currículo e projeto político pedagógico (PPP) interdisciplinar para as escolas,  a partir das necessidades apontadas durante as assembleias das células comunitárias.

Na construção do currículo, a partir das orientações da gestão pública, foram desenvolvidas ações pedagógicas sobre empreendedorismo estudantil, esporte na escola, meio ambiente e sustentabilidade, cultura popular, música e artes cênicas e plásticas e até ações de resgate às brincadeiras tradicionais.

Para além da escola

Além disso, a política se estendeu para além das atividades com os estudantes. Foi criado o programa Sacola Verde, que estimulava a relação entre educação e meio ambiente e os programas da gestante, da gravidez e da terceira idade, que traziam para o debate a compreensão do ser humano como individuo integral, impactado diretamente pelas dinâmicas e cenário social.

A gestão também investiu na atenção à alimentação das crianças, oferecendo três refeições diárias nas escolas, formação em nutrição para as merendeiras e contratação de nutricionista na escola.

Estratégias

Uma das estratégias adotadas pela gestão foi a de criar parcerias com os meios de comunicação locais para promover oficinas de educomunicação aos estudantes contemplados pelo programa de Educação Integral. Houve ainda formação continuada aos profissionais da educação sobre temas correlatos à Educação Integral, atingindo todos os gestores e equipes técnicas das unidades.

Início e duração: de 2001 a 2010 (Em 9 de outubro de 2013, a atual gestão municipal de Apucarana revogou a lei da Educação Integral e retirou o slogan "Apucarana, cidade educação"). 
Local: Apucarana (PR).
Responsáveis: Prefeitura Municipal de Apucarana
Envolvidos e parceiros: escolas, lideranças comunitárias, corpo empresarial, órgãos públicos, secretarias municipais de saúde, transporte, assistência social e meio ambiente e rádios locais. 
Financiamento: Prefeitura Municipal de Apucarana

Principais Resultados

O programa obteve diversos resultados positivos em avaliações externas, como o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), que passou de 4,5 em 2005 para 6,0 no ano de 2008.  Além do Ideb, houve avanços também na Prova Brasil, no índice de evasão e aprovação. Além disso, a gestão municipal pode perceber impactos também na redução de índices de violência e ampliação da renda familiar.
Com a implantação do programa de Educação Integral, o município alcançou ainda prêmios como "Prêmio Gestor Eficiente da Merenda Escolar"; 3º Prêmio Nacional de Educação Ambiental "Amigos do Mar"; Prêmio Qualidade em Inclusão Educacional, da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime); Prêmio Prefeito Amigo da Criança 2004, entre outros.

Veja como foi a evolução do município de 2000 e 2010 em infográfico:

Infográfico dos Avanços de Apucarana

Infográfico dos Avanços de Apucarana. Créditos: FIRJAN

Materiais 

Acesse aqui a cartilha "Passos para implementar a Educação Integral", da gestão da Prefeitura de Apucarana (2001-2008).

Contatos
Site: http://educacaointegral.com.br/
Facebook: Educação Integral 
Twitter: @educa_integral
Telefone: (43) 3047-1515

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