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Avaliação e Monitoramento

Avaliação e Monitoramento

Uma vez que a Educação Integral pressupõe um olhar para a multiplicidade de dimensões do desenvolvimento humano, a avaliação nessa concepção também deve se configurar como um projeto integrado e integrador, tanto conceitualmente quanto em sua prática metodológica.

Essa perspectiva multifatorial do processo avaliativo pode ser resumida em dois aspectos centrais, que por sua vez também são complementares e indissociáveis. Em primeiro lugar é necessário conceber que avaliação em Educação Integral implica descrever e mensurar a qualidade dos processos de ensino e aprendizagem, como também da gestão do programa e da escola. Deve, portanto, incluir todas as esferas do programa de Educação Integral, do micro ao macro, atentando para o geral (avaliação do programa no município), mas sem descuidar do específico (avaliação da aprendizagem dos estudantes).

Como um segundo ponto, a avaliação na Educação Integral é compreendida como processo formativo, contínuo, processual e dialógico; expressa valores, concepções, crenças e o posicionamento político-ideológico do avaliador. Quem avalia tem decisões a tomar no sentido de qualificar o que está sendo avaliado, determinando os critérios que irão reger todo o processo de valoração. Dessa forma, todos devem ser avaliadores do programa: gestores, educadores, estudantes, famílias e comunidade. Educadores avaliam a aprendizagem dos estudantes, estudantes se autoavaliam e avaliam o trabalho dos educadores.

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Avaliação do programa

É importante que o planejamento da avaliação de um programa de Educação Integral inclua processos participativos locais que considerem tanto as avaliações externas (federais, estaduais e municipais) quanto indicadores construídos pela própria escola. Quanto mais agentes (gestores, professores, comunidade escolar, estudantes) estiverem envolvidos na elaboração dos métodos e instrumentos avaliativos, mais a avaliação dialogará com a proposta que se pretende implementar.

A avaliação do programa é efetiva enquanto parte integrante do currículo escolar e dos próprios mecanismos de gestão do programa. Não é, portanto, uma etapa dissociada e independente do programa de Educação Integral, mas seu próprio fio condutor, servindo como referencial e norte de todos os processos. Deve incluir tanto indicadores de processo (monitoramento) quanto indicadores de resultado, capazes de demonstrar o quanto se avançou em relação aos objetivos inicialmente propostos.

Avaliação da aprendizagem

No que diz respeito à aprendizagem, a avaliação da Educação Integral deve, evidentemente, contemplar os diferentes aspectos do desenvolvimento integral do estudante, incluindo diferentes competências e habilidades previstas que o estudante desenvolva em seu processo formativo. Em outros termos, a integralidade da Educação deve se refletir na integralidade da Avaliação.

Por fim, a avaliação da aprendizagem deve ter função diagnóstica e servir para revisão dos métodos, das estratégias e abordagens utilizados pelo professor.

Na realidade, é preciso lembrar que não apenas a avaliação da aprendizagem, mas toda a avaliação do programa de Educação Integral (implementação do município, gestão da escola) deve estar a serviço da reflexão aprofundada (seja da gestão, seja da aprendizagem), levando a mudanças de rotas, melhorias, replanejamentos. Avaliar em Educação Integral deve, afinal, estar a serviço do educando e não o inverso.

Assim, podemos considerar que a avaliação é também integral quando as múltiplas dimensões do desenvolvimento regem sua concepção (paradigma avaliativo), seu planejamento (quem faz, como faz), sua metodologia (como fazer, quais instrumentos utilizar) e sua função (a que ela serve, os usos que se faz dela).

Nos Estados Unidos, coalizão monitora e qualifica parcerias escola-comunidade Nos Estados Unidos, coalizão monitora e qualifica parcerias escola-comunidade
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Nos Estados Unidos, coalizão monitora e qualifica parcerias escola-comunidade

 

"É muito comum ouvirmos no mundo inteiro, e não apenas no Brasil e nos Estados Unidos, a ideia de uma educação de qualidade, alta qualidade. Mas, definir o que isso significa ainda é um desafio para organizações sociais, instituições de ensino e para a própria academia e governos."

Foi com esse pressuposto, explicado por Jessica Donnor, que nasceu nos Estados Unidos a Every Hour Counts, uma coalizão de diferentes organizações sociais para qualificar e aprimorar o trabalho de contraturno escolar realizado por instituições e ONGs locais. Chamadas de "After school Programs" [Programas para depois da escola], estas iniciativas têm como objetivo apoiar o trabalho desenvolvido pelas escolas, ampliando o repertório sócio-cultural dos educandos e oferecendo atividades personalizadas que respondam as suas necessidades e interesses.

Ponte com o Brasil

Com conexão direta ao que propõe a educação integral - na corresponsabilização da escola e da comunidade no processo educativo dos indivíduos - os estudos e metodologias sistematizadas pela coalizão podem apoiar escolas e organizações brasileiras a melhor trabalharem juntas, oferecendo insumos, inclusive, ao Mais Educação.

Advocacy e ação prática

Com o mote "Expandindo oportunidades de aprendizagem para que todos os estudantes tenham sucesso", a coalizão atua apoiando escolas e organizações locais para qualificar os programas educativos de ambas instituições, fortalecendo sua integração e atuação conjunta.

Para tanto, a Every Hour Counts mapeia práticas ao redor dos Estados Unidos e trabalha em rede com organizações afiliadas de mediação e gestão de programas do tipo "After school". Como uma espécie de polo sistematizador e multiplicador das práticas, a coalização apoia a parceria escola-comunidade em quatro eixos complementares: planejamento, execução, monitoramento e avaliação.

Priorizando comunidades em que há maior vulnerabilidade social, a proposta atua a partir de práticas replicáveis, que funcionem em diferentes realidades culturais e possam ser disseminadas pelas próprias organizações e escolas em seus territórios.

Para Jessica, diretora da Every Hour Counts, é fundamental entender que as realidades e composições socioculturais do território são partes primordiais da parceria e, que, portanto devem não apenas ser respeitadas, mas compor a estrutura dos programas e atividades conjuntas.

Qualidade

Para monitorar e aferir a qualidade de um programa de After-school, a Every Hour Counts trabalha com a formação de avaliadores, que vem de organizações parceiras ou financiadoras, mas os instrumentos de avaliação são compartilhados e estão disponíveis para serem utilizados por qualquer pessoa. As organizações locais, por exemplo, fazem seus próprios processos de avaliação, mas também utilizam os indicadores e métodos da coalizão. E a proposta é justamente essa: partir de um conceito acordado de qualidade, se trabalha conjuntamente para alcançá-lo.

Entre os indicadores pactuados, estão:

- relevância do currículo e das atividades ofertadas para a faixa etária do educando, buscando que as atividades sejam estimulantes e mantenham o educando interessado, desafiem o que ele já sabe e partam dos conhecimentos que ele já tem;

- relações positivas entre educandos e corpo de funcionários, destacando, inclusive, que os jovens tenham papel protagonista na instituição, assumindo responsabilidades e participando da gestão do equipamento, especialmente na parte pedagógica;

- apropriação do território e do cenário de vida dos educandos por parte da equipe, garantindo diálogo e espaço de confiança para que as crianças e jovens possam falar livremente de suas realidades;

- diversidade de oportunidades educativas, capazes de dialogar com as aprendizagens escolares, mas, acima de tudo, capazes de expandir linguagens, ferramentas e o repertório cultural do educando;

- garantir que estas funcionem em ritmos e tempos apropriados para a forma com que cada estudante aprende, como por exemplo, atividades mais curtas e inter-relacionadas para os mais jovens e projetos mais densos e com maior possibilidade de escolha, que requeiram mais tempo e maior reflexão e debates coletivos para os mais velhos.

Os indicadores são mensurados a partir de uma ferramenta de observação chamada Youth Program Quality Instrument [Instrumento de Qualidade de Programas para a Juventude], que é gratuita. "Por ser validado, este instrumento diminui a subjetividade do avaliador e nos possibilita comparar programas, entender cenários municipais, estaduais e até nacionais, compreendendo onde estão as maiores dificuldades, se elas são compartilhadas entre organizações", afirma Jessica.

Para a diretora do Every Hour Counts, a avaliação não pode ser um instrumento pró-forme ou para criticar o trabalho de organizações. A ideia, ao contrário, é trabalhar com leituras que fortaleçam o trabalho dos educadores e efetivamente respondam aos anseios e necessidades dos educandos. Nesse sentido, Jessica afirma que os maiores avaliadores são as próprias crianças e jovens. "Perceber o que eles trazem é o maior indicador: se eles faltam isso, tem que ser olhado; se há evasão, isso acontece por um motivo; se há brigas ou conflitos, isto nos apresenta questões que precisam ser olhadas", justifica.

Como exemplo, ela lembra de um jovem que disse que não andaria meia quadra para um programa mais ou menos, mas andaria um quilômetro para um programa de qualidade. "Eles definem qualidade o tempo todo e as escolas e organizações precisam estar atentas a isso."

Para tanto, como outra de suas ações, a Every Hour Counts atua em formações com equipes de escolas e organizações e defende que essas podem aprender muito umas com as outras. Como produto dessas atividades formativas, realizadas em diferentes formatos de acordo com a cidade ou público em questão, a coalizão sistematizou 10 pontos encontrados em parcerias de qualidade entre escolas e organizações sociais. Veja abaixo:

10 elementos que aprimoram a relação escola-comunidade

1. Encorajar a autonomia e protagonismo: organizações e escolas devem dar voz aos estudantes, incentivando que sejam autores desta relação, dos seus projetos e aprendizagem.

2. Planejar para uma colaboração efetiva, garantindo espaço para que haja interação concreta entre as instituições. É fundamental que todos possam perguntar e propor, tirando dúvidas e pensando juntos sobre situações que lhes são comuns: é imprescindível que seja dito o que um espera do outro.

3. Desenvolver uma divisão corresponsabilizada, partindo das forças e expertises de cada instituição. É importante que as organizações sejam corresponsáveis em suas linhas de trabalho, entendendo o desenvolvimento do estudante como objetivo de convergência das ações.

4. Estabelecer papeis claros para as instituições: cada um precisa saber exatamente o que e quando desenvolver sua atividade, bem como o respeito aos valores e protocolos de cada parceiro.

5. Formar os colaboradores em atividades integradas, fazendo uso dos espaços que já existem nas instituições ou construindo novos. As discussões afetam escola e organização que, juntas, compõem essa rede de proteção e formação dos estudantes.

6. Reunir e integrar as equipes das escolas e das organizações locais nas atividades pedagógicas, tanto na concepção, quanto na execução e avaliação das mesmas.

7.  Dividir as responsabilidades pelo que foi desenvolvido: escolas e equipamentos da comunidade têm que pensar juntos, e com os educandos, se os objetivos das ações foram cumpridos, segundo o que todos estavam esperando e haviam acordado.

8. Engajar os líderes certos: para efetivamente alcançar os objetivos, é preciso alcançar uma liderança coletiva e plural, capaz de reunir diferentes campos de atuação - na escola, na comunidade e no poder público. O trabalho de parceria entre a escola e a organização tem que ser uma causa coletiva, pactuada com a comunidade local.

9. Buscar ajuda para encontrar fontes diversificadas de financiamento: buscar parceiros mediadores na comunidade é fundamental para que ambas - escola e organização - consigam financiamento, juntas, para seus projetos e atividades. Prever voluntários em legislação e em aprovação de projetos é uma forma de corresponsabilizar pessoas da comunidade que não necessariamente participam do desenho pedagógico das ações.

10. Acessar ferramentas produzidas por movimentos, organizações e escolas que já atuam em parceria, buscando aprender a partir do que já foi testado e sistematizado, e, ao mesmo tempo, ter espaço para criação e desenvolvimento de novas propostas e iniciativas.

 

 

 

Em Santos, Programa Escola Total inova em processo de avaliação Em Santos, Programa Escola Total inova em processo de avaliação
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Em Santos, Programa Escola Total inova em processo de avaliação

Iniciativa: Programa Escola Total – Jornada Ampliada de Santos (SP)

Pública ou Privada: Pública

Descrição

O Programa Escola Total – Jornada Ampliada foi criado no ano de 2006 pela Secretaria de Educação de Santos, município localizado no litoral de São Paulo. O programa nasce a partir do Programa Santos Criança,  que já investia em políticas articuladas entre as secretarias de Esporte e Cultura e com as organizações sociais da cidade, com o objetivo de fomentar o desenvolvimento integral na primeira infância.

Assim, a cidade passou a oferecer Educação Integral em duas modalidades para as 37 escolas de ensino fundamental da rede municipal. Em cinco delas, os estudantes permanecem em tempo integral dentro da escola, pois são prédios que já oferecem infraestrutura suficiente para o desenvolvimento do programa.  Nas outras 32 escolas, a Educação Integral se dá no contraturno escolar, em doze espaços da cidade (chamados de núcleos), que são fruto de parcerias com universidades, sociedades do bairro, sindicatos, igrejas, clubes, áreas de cultura e esporte. As atividades realizadas fora da escola são conduzidas por monitores contratados pela Secretaria.escola total

O objetivo principal do programa é aproximar as unidades escolares dos chamados núcleos, assim como das famílias dos estudantes, fazendo-os perceber as potencialidades e riqueza cultural da cidade. Por meio das relações que se estabelecem, os estudantes passam, então, a utilizar os diversos espaços do município, o que rendeu a Santos o título de cidade educadora  em 2008.

Avaliação diferenciada

Após quatro anos de existência, em 2010, já eram nítidos os resultados do programa na cidade. O Índice da Educação Básica (Ideb) das escolas aumentou de forma significativa. Nos anos iniciais (1º ao 5º), o índice passou de 4,4 em 2005, para 5,5, em 2007. Nos anos finais (6º ao 9º) os números passaram de 4,1, em 2005, para 4,3 em 2007, o que superava nos dois casos, a meta projetada pelo MEC para 2007 e 2009. Mas, mesmo obtendo esses resultados quantitativos, a Secretaria de Educação ainda continuava sem saber sobre o resultado da aprendizagem dos estudantes de forma efetiva.

Assim, a Secretaria de Educação contratou uma consultoria externa para a elaboração de uma matriz de monitoramento e avaliação do programa, construída de forma colaborativa entre estudantes, pais e professores.

Primeiramente foram estudados todos os documentos que existiam sobre o programa e feito  um levantamento das escolas onde o programa acontecia com visitas ao monitoramento de cinco unidades escolares e  doze núcleos, identificando como se dava o processo de ensino-aprendizagem entre professores e alunos. Com a pesquisa em mãos, organizaram uma definição de aprendizagem a partir de consulta com todos os participantes do programa.

Instrumentos de Avaliação

A proposta de monitoramento e avaliação não foi tarefa fácil. Durante um ano, técnicos da Secretaria de Educação, diretores, coordenadores, professores, estudantes, família, educadores sociais e demais parceiros discutiram a proposta por meio de diversos instrumentos de participação. Nesse processo de construção, considerando locais e equipamentos utilizados pelos estudantes, foram distribuídas até mesmo urnas nos ônibus da cidade. Foram deixadas também urnas nos núcleos, para que pais também pudessem opinar acerca da aprendizagem das crianças e adolescentes.

Condições para a aprendizagem acontecer...

Para aferir sobre o aprendizado das crianças, foram selecionados oito fatores e para cada um deles alguns indicadores. Exemplo de fator é a atuação do estudante, na qual os indicadores seriam a autoconfiança, produção de justificativas e oportunidades de escolhas.

A equipe coletou mais de 2 mil respostas, que foram agrupadas em um banco de dados para depois realizar a seleção das mais frequentes. Além das urnas, foi aplicado um questionário a cada participante do programa  (educador, professor, monitorador), que deviam indicar três tipos de aprendizagem desenvolvidas nas escolas e núcleos. Ao serem agrupadas, chegou-se a 30 delas.

A partir do olhar da Prova Brasil do MEC e da UNESCO, que promove a educação em quatro pilares (aprender a ser, a conhecer, a fazer e a conviver), a Secretaria Municipal reduziu as 30 aprendizagens para 28.

A matriz de monitoramento e avaliação

matrizA matriz traz os pilares da aprendizagem, que são: conhecer, conviver, fazer e ser. Para cada pilar há uma aprendizagem e para cada uma delas uma descrição do que se trata; os meios de verificação da aprendizagem; quais são os fatores que asseguram essa aprendizagem; os indicadores e uma justificativa (clique na imagem ao lado e veja um exemplo).

Principais resultados

Os dados obtidos permitiram que o programa se aproximasse dos interesses dos estudantes, além de produzir informações que pudessem ser compartilhadas entre os profissionais, possibilitando: a produção de conhecimento do próprio trabalho a partir das ações práticas; a indicação das necessidades de aperfeiçoamento dos profissionais para uma formação continuada; e que os estudantes alcançassem as aprendizagens esperadas a partir da matriz.

Início e duração: O programa teve início em 2006 e permanece em atividade até os dias atuais.
Local: Município de Santos, no litoral sul de São Paulo (SP)
Responsáveis: Secretaria de Educação (Seduc) de Santos

Parceiros: Grupo SMS, responsável pela consultoria em avaliação.

Financiamento: Seduc de Santos

Clique aqui e tenha acesso ao passo a passo do processo de construção da avaliação do Programa Escola Total de Santos.

Informações:
Site da Secretaria de Educação de Santos: www.portal.santos.sp.gov.br

Centro Popular de Cultura e Desenvolvimento incentiva modelo de avaliação diferente Centro Popular de Cultura e Desenvolvimento incentiva modelo de avaliação diferente
Experiências
Centro Popular de Cultura e Desenvolvimento incentiva modelo de avaliação diferente

Iniciativa:  Indicadores de Qualidade de Projeto do Centro Popular de Cultura e Desenvolvimento (CPCD)

Pública ou Privada: Pública (3º setor)

Descrição

Os Indicadores de Projeto de Qualidade do Centro Popular de Cultura e Desenvolvimento (CPCD) nasceram da necessidade que a organização tinha para aferir os resultados de seus projetos de educação, que trabalham em uma perspectiva que vai além das habilidades cognitivas, incluindo processos como o trabalho em grupo, maior relação do educando com a comunidade, utilização de espaços públicos para fins educativos e autonomia do estudante em seu percurso formativo.

A partir da dificuldade de medir os resultados de questões como estas, o CPCD passou a refletir sobre as atividades que realizava e quais elementos as compunham, para então tentar chegar a um modelo de avaliação.Projeto_Ser_Criança_FOTO_divulgação-1-640x350

O primeiro passo foi levantar os objetivos da organização  e como estes se relacionavam ou eram contemplados pelos projetos desenvolvidos. A partir desse estudo destacaram que se os objetivos incluíam também aspectos afetivos e abstratos do ser humano, como o desenvolvimento da auto-estima, a socialização, aprendizagem lúdica e alegria, o processo de avaliação não poderia ser diferente.

Para não ficar apenas focado em resultados intangíveis, o CPCD se propôs a formular seus próprios indicadores, partindo da observação diária e sistematizada de crianças e jovens no processo de aprendizagem junto aos educadores. Foram observados os pequenos detalhes que envolviam os processos educativos, como o choro, riso, envolvimento, desinteresse, limpeza, sujeira, delicadeza, agressividade, entre outros. Questões relacionadas à aprendizagem e participação em grupo também foram levantadas.

Todos esses pontos apareciam nas memórias de relatórios técnicos e avaliações já realizadas no cotidiano do projeto. Assim, os elementos observados no dia a dia resultaram em um indicador mensurável. Inicialmente a equipe desenvolveu os chamados microindicadores, que são: a autoestima, o cuidado com o corpo, o cuidado com as roupas e os objetos pessoais, a busca de uma melhor estética, a expressão de opinião e de gostos, o protagonismo na roda, a disponibilidade para ajudar e participar de ações coletivas.

A partir dos microindicadores, forpedagogia_cpcdam elaborados os macroindicadores para a avaliação dos projetos como um todo. Construído de forma colaborativa entre os diversos atores envolvidos nos projetos, chegou-se a doze índices de avaliação, chamados de Indicadores de Qualidade de Projeto (IQP), que se complementam, mesmo podendo ser  aferidos de forma individual. Para cada índice, há um questionário proposto pelo CPCD, que podem variar conforme a modalidade educativa ou o público que será avaliado (estudantes, pais, comunidade, educadores etc.)

Veja abaixo alguns exemplos de perguntas para cada um dos 12 macrocampos.

 

Início e duração: Os indicadores continuam sendo utilizados nos projetos até os dias atuais.

Local: Estados onde os projetos do CPCD já foram realizados, como Minas Gerais, Bahia e São Paulo.

Responsáveis: Centro Popular de Cultura e Desenvolvimento (CPCD).

Envolvidos e parceiros: Participantes e estudantes do projeto, familiares, comunidade onde os projetos acontecem e educadores das atividades.

Principais Resultados: O CPCD consegue verificar os resultados de seus projetos além dos índices objetivos, aferindo também os resultados não cognitivos de acordo com as metas e objetivos da própria organização. Sua missão reflete na forma como sua aça

Materiais e Publicações

Foi criado também um roteiro para o processo de avaliação, composto por perguntas sobre o objeto de trabalho e suas dimensões significativas,hierarquização dos objetivos, identificação dos públicos envolvidos nos projetos e escolha dos instrumentos que serão utilizados para a avaliação.

Veja aqui o questionário para cada índice.

Clique aqui para visualizar o roteiro para o plano de trabalho e avaliação

Conheça também os 12 Indicadores de Qualidade de Projeto. (Esse material também está em nossa lista de materiais).

Contatos

Site: http://www.cpcd.org.br/

Exemplos de perguntas para os indicadores

#1. Apropriação - Equilíbrio entre o desejado e o alcançado.

Esse indicador diz respeito ao tempo de aprendizagem de cada estudante, procurando compreender e respeitar o ritmo que cada um leva a aprender, no intuito de não forçar o aprendizado.

(Os membros do projeto sentem e atuam como se cada um fosse dono dele? As metas de vida são congruentes com as metas do projeto? Como se dá este processo de apropriação do projeto com situações conflituosas e polêmicas, ou seja, naquilo que se difere da sociedade?).

#2. Coerência - Relação entre teoria e prática

Esse indicador procura equilibrar o conhecimento formal e acadêmico e o conhecimento não-formal e o empírico, mostrando que todos têm relativa importância no processo de aprendizagem, pois completam um ao outro.

(O que se trabalha no projeto é levado pelas crianças e adolescentes à comunidade? As crianças e adolescentes incorporam a metodologia do projeto na vida deles?

#3. Cooperação - Espírito de equipe e solidariedade

O indicador mostra aspectos de solidariedade os processos de ensino-aprendizagem, colocando a criança ou adolescente também como protagonista do processo educativo, no intuito de fomentar uma educação mais plural.

(Há ausência de competição entre os membros? Há trabalho em equipe e convivência harmoniosa?).

#4. Criatividade - Inovação, animação e recreação

Esse indicador mostra como vem sendo a busca por soluções criativas e inovadoras para resolver problemas nos processos educativos.

(Há preocupação dos participantes em se fazer um projeto mais interessante? os participantes buscam por inovações?)

#5. Dinamismo - Capacidade de auto transformação segundo as necessidades

O indicador pretende enxergar os atores dos projetos enquanto pessoas em constante e permanente processo de aprendizagem.

(Os projetos são sensíveis e receptivos às necessidades de trocas sociais, externas e internas? Como é a capacidade de resolução dos problemas do projeto? Há flexibilidade nas posturas? Há intercâmbio de ideias?).

#6. Eficiência - Identidade entre o fim e a necessidade

O indicador pretende mostrar como é o equilíbrio das energias despendidas nos processos educativos a depender dos meios e recursos utilizados para chegar nos objetivos propostos, a partir de quatro pilares, utilizados também pela UNESCO: aprender a ser, aprender a fazer, aprender a conhecer e a aprender a conviver.

( O projeto utiliza devidamente os recursos materiais e humanos? Está atendendo aos reais destinatários?)

#7. Estética - Referência de beleza

O indicador trata da estética enquanto conceito que incorpora a “luminosidade” de todos os seres humanos, os quais são fontes geradoras de beleza.

(Tem-se em conta a estética, as coisas que elevam o espírito, a produção do bem-estar? O que se produz é bonito? Como o projeto trabalha o belo a partir do aproveitamento de material alternativos e recicláveis, por exemplo?  Pode-se produzir coisas bonitas usando materiais e/ou ferramentas alternativas?).

#8. Felicidade - Sentir-se bem com o que temos e somos

Esse indicador aponta para a busca da felicidade do ser humano.

(Há alegria, interesse, descontração na participação do projeto? Como isto se evidencia?)

#9. Harmonia - Respeito mútuo

O indicador pretende aferir sobre a compreensão e aceitação entre as pessoas nos processos de aprendizagem.

(Como são as relações inter-pessoais? Há respeito às diferenças ideológicas e à cultura local).

#10. Oportunidade - Possibilidade de opção

O indicador traz o conceito contemporâneo de desenvolvimento como geração de oportunidades e construção de capital social. Para o CPCD, quanto mais oportunidades são garantidas aos estudantes, mais opções eles terão para realizar suas potencialidades.

(Os participantes do projeto dão respostas diferenciadas às oportunidades que lhe são oferecidas? Como? Participar do projeto abre oportunidades na vidas das pessoas?)cpcd_2

#11. Protagonismo - Participação nas decisões fundamentais

Indicador afere sobre como os desafios assumidos pelo sujeito, como as barreiras para assumir esse desafio são enfrentadas e como se dá a participação integral na vida social a partir do questionamento: “O que cada um pode fazer? Queremos ser protagonistas de que peça, de que escola, de que país, de que sociedade?”.  

(Quem participa da tomada de grandes decisões? As decisões envolvem a todos? Os protagonistas do trabalho diário participam das tomadas de decisões? A forma de participação do projeto facilita o desenvolvimento das pessoas? A equipe de educadores é suficientemente apta para trabalhar a participação e desenvolve o protagonismo nas crianças e adolescentes?)

#12. Transformação - Passagem de um estado para outro melhor

O indicador traduz a possibilidade do sujeito também ser um agente de transformação no meio onde vive.

(Qual a influência positiva do projeto na vida das crianças/adolescentes/comunidade? O projeto possibilita aos seus participantes uma mudança significativa de vida e de comportamento? Como isto se evidencia?).

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