O potencial educativo das brincadeiras

“O máximo de maturidade que um homem pode atingir é quando ele tem a seriedade que têm as crianças quando brincam”, dizia o filósofo alemão Friedrich Nietzsche no século XIX. A máxima segue fundamental para a sociedade atual, já que o ato de brincar acaba influenciando o desenvolvimento da pessoa para o resto da vida.

O Direito ao Brincar

O Direito ao Brincar aparece, hoje, em instrumentos legais nacionais e internacionais, como na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Brasileira (LDB), no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), assim como na Declaração Universal dos Direitos da Criança e na Convenção de Direitos da Criança da ONU.

Pular corda, brincar de esconde-esconde ou de casinha. O ato de brincar é a primeira atividade lúdica acessível ao ser humano e uma das primeiras possibilidades de conhecer o mundo ao seu redor. Ao nascer, o bebê já desenvolve alguns movimentos e interações, mas é com as brincadeiras que a criança abre seu olhar para o mundo.

Com uma gama de variedades, as brincadeiras podem desenvolver habilidades físicas, motoras ou cognitivas. Algumas delas trazem a imitação da vida em sociedade. Outras, ainda, promovem o desenvolvimento de valores tais como a responsabilidade, o companheirismo, as noções do compartilhamento e regras de convívio coletivo. “Dependendo da faixa etária, existem alguns tipos de brincadeira que vão possibilitando à criança descobrir o movimento e se descobrir emocionalmente, assim como no convívio”, aponta a gestora institucional da Aliança pela Infância, Giovana Barbosa.

De acordo com a coordenadora pedagógica da Rede Marista de Solidariedade, Aline Paes de Barros, a criança brinca em todos os momentos, ainda que os tempos e espaços não sejam completamente propícios para essa finalidade. “A criatividade, envolvimento e interações que a criança estabelece nesses momentos interferem diretamente no seu processo de desenvolvimento. Sendo assim, a brincadeira auxilia nas relações da criança com o meio em que vive, com outras crianças e adultos, favorece a criação de um repertório amplo de possibilidades, desafios e novidades”.

O tempo de brincar

O tempo de brincar, no entanto, vem muitas vezes sendo preenchido por outras atividades. A cada dia que passa, os pais delegam mais obrigações aos filhos, impedindo-os de fazer aquilo que fazem de melhor. Isso porque a maioria dos adultos não acreditam que o ato de brincar também é uma forma de aprendizado. Nas escolas, onde as crianças passam até mais da metade do dia, raras são as vezes que as brincadeiras ocorrem sem a interferência de um adulto ou com um objetivo claro de aprendizado.

“Na maior parte das escolas, os recreios vêm sendo encurtados. Isso é um crime pra nós, já que o recreio é a hora que os estudantes têm pra conviver com as crianças de outras faixas etárias, de outras realidades, pois o brincar permite o acesso à diversidade, o que acaba sendo um meio maravilhoso de aprendizado”, aponta Giovana.

Para alguns movimentos ligados ao direito ao brincar, como a Aliança pela Infância e a Rede Marista de Solidariedade, a brincadeira deve partir da vontade da criança,  pois o aprendizado ocorre no decorrer da própria brincadeira, que deve ser valorizada pela ação em si e não apenas por uma finalidade específica.

“É impossível você pensar que o brincar não tem uma propriedade educacional. Ao brincar, você está aprendendo, se transformando, assimilando a cultura de onde está localizado. Ela tem que ter a possibilidade de brincar com as pedrinhas e achar que é um caminhãozinho. Essa exploração se dá quando você não tem um tempo determinando ou resultado esperado. Quando o objetivo é simplesmente a diversão”, aponta Giovana.

De acordo com Aline, o brincar é um direito da criança e, visto desta maneira, precisa ser garantido de maneira livre e espontânea, para que a própria criança exercite sua imaginação e criatividade. “A criança aprende enquanto brinca, pois coloca em funcionamento complexos exercícios cognitivos, envolve-se de corpo inteiro na ação e consequentemente, amplia seus conhecimentos”.

Neste Mundial da Educação, reunimos as brincadeiras mais comuns entre as cidades-sede do Mundial de Futebol, respeitando as regionalidades de cada uma. Conhecer as modalidades é certamente uma forma divertida de ampliar o repertório cultural e as possibilidades de professores e alunos brincarem um pouco mais.

Confira aqui na página com as 12 cidades.

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1 Comentário

  1. JUSSARA CRISTINA MAYER CERON disse:

    O brincar na infância se constitui um processo ampliado no desenvolvimento das pessoas, pois permite o encontro, o reencontro, a inserção, o movimento, a ludicidade, a vivência de conflitos, a atitude diante nos diversos desafios, a autonomia e a convivência com o outro, com os objetos e com o meio.
    Parabéns pelas reflexões.