Como ensinar para um grupo de alunos com habilidades distintas?

Publicado dia 15/05/2017

Circula pela internet um quadrinho que simula uma sala de aula em que o professor diz “para uma seleção mais justa, todo mundo tem que passar pelo mesmo teste: por favor, subam naquela árvore”. No lugar dos alunos, estão diferentes animais como um elefante, um peixe, um macaco, um pássaro e um pinguim.

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Dentre as possíveis interpretações, pode-se inferir que a imagem ironiza a tentativa de alguns métodos de ensino de avaliar a todos a partir de um mesmo critério, desconsiderando suas habilidades e interesses individuais. Mas como contemplar todos os alunos dentro de uma mesma sala de aula? Há uma proposta: a diferenciação.

Texto originalmente publicado por Todd Finley, no site Edutopia, da rede de parceiros de conteúdo do Centro de Referências.

Este método de ensino é um modo de pensar o aprender e o ensinar, elaborado para englobar todos os  estudantes, transformando como eles aprendem, processam e guardam informações, como demonstram seus conhecimentos e habilidades e com quem e onde o aprendizado acontece.

Diante de um grupo de alunos com habilidades muito diferentes, os passos a seguir podem ser adotados pelos professores:

1. Comece devagar

Mudanças podem deixar algumas crianças desconfortáveis ou ansiosas. Por isso, integre gradualmente um currículo centrado nos alunos, pedindo para que eles escolham entre duas ou três tarefas que possam ser finalizadas durante a aula.

2. Para os alunos mais adiantados

Alguns alunos podem se sentir entediados enquanto realizam tarefas que para eles parecem simples, mas que para outros não são. Após uma pré-avaliação, é possível que estes estudantes pulem alguns capítulos e atividades e já iniciem algo mais elaborado. Propor projetos em pequenos grupos ou pequenas pesquisas sobre o tópico também são alternativas.

3. Deixe as crianças decidirem

Escolher é motivador e dá autonomia. Deixe os alunos decidirem:

  • Como eles aprendem com os outros: individualmente, em pares, em pequenos grupos ou com a sala inteira.
  • A dificuldade das tarefas.
  • O conteúdo que vão estudar. Por exemplo, uma sala inteira pode estudar “gênero e identidade“, mas cada aluno pode individualmente escolher um livro ou uma abordagem específica.
  • Quais questões de uma prova eles vão responder. Uma prova pode dizer “escolha três das cinco questões a seguir que você se sente mais confiante para responder”. Os alunos também podem votar em quando fazer uma prova.
  • O que, onde, quando e como aprender, por meio de contratos individuais de aprendizagem, ou seja, o estudante irá decidir com o professor seu plano de aula e o tempo em que ele será realizado. Isso dá autonomia e motivação ao aluno, que se sente parte responsável pelo seu aprendizado. Por parte dos professores, isso requer paciência e assistência intensiva enquanto os estudantes compõem seus planos.

4. Faça avaliações para cada matéria

Professores precisam ter ciência de quanto seus alunos sabem, de quais formas eles aprendem mais facilmente e o que os interessa. Essas atividades podem ajudar:

  • Quem sou eu: é uma atividade simples, em que os alunos podem responder por escrito e com desenhos suas preferências, como cor, comida, filme, livro, música, quais suas principais qualidades, hobbies, sonhos, dentre outros. Alguns modelos, em inglês, para servir de inspiração: Modelo 1 Modelo 2
  • A pausa de 3 minutos: Em algum ponto da aula, faça de uma a três perguntas para os alunos, que devem respondê-las em uma folha de papel. Podem ser perguntas como “eu me surpreendi com…”, “eu descobri que…”, “eu quero saber mais sobre…”. Recolha as fichas e promova uma discussão com a classe sobre essas respostas. Posteriormente, revise as fichas para ajustar as próximas aulas para o próximo dia.
  • Conferências entre aluno e professor: é um jeito rápido de determinar quanto os estudantes estão progredindo e quanto apoio ainda precisam.
  • Preparando provas: inclua diferentes formatos de questões que possam atender às preferências dos estudantes, como múltipla escolha, respostas curtas, linhas do tempo, verdadeiro ou falso, gráficos e questões de completar sentenças.
  • Reconhecimento: é essencial que os estudantes percebem de forma mais concreta seus progressos. Isso pode ser feito por meio de linhas do tempo ou portfólios em que as crianças possam documentar seus feitos.

5. Hora da leitura

Para leituras mais complexas ou alunos que têm dificuldade, algumas estratégias podem facilitar a compreensão do texto, como fazer perguntas, estabelecer conexões pessoais, com outros textos e o mundo, fazer com que os alunos visualizem e imaginem a história, resumir o texto e fazer interpretações sobre o que concordam ou discordam da história, o que gostaram, o que não acharam interessante.

* Tradução de Ingrid Matuoka

A criatividade como aliada do processo de inclusão