Professor desenvolve projeto transdisciplinar contra preconceito em escola do Rio de Janeiro

Publicado dia 19/11/2013

Iniciativa: Qual é a Graça?
Pública ou Privada: Pública

A troca de apelidos entre alunos é uma prática bastante comum, mas nem tão inofensiva. Em tom de brincadeira, as palavras podem sustentar discriminações diversas, inclusive a racial. E isso chamou a atenção de um dos professores da Escola Municipal Herbert Roses, na Zona Norte do Rio de Janeiro (RJ).

Luiz Rosa, que leciona Biologia, partiu para uma pesquisa com seus alunos com o intuito de conhecer quais nomes tinham relação com a questão racial negra. A lista foi de 360 apelidos, incluindo termos como “macaco”, “galinha de macumba” e “asfalto”. Nascia então a ideia do projeto “Qual é a graça?”.

A iniciativa tem como objetivo promover e valorizar a história negra e, em paralelo, combater os nomes pejorativos entre a turma. A ideia é que cada apelido dê lugar a uma foto, uma planta ou a uma atitude positiva dos alunos.

O local para o início da sensibilização foi o quintal abandonado da escola. Ali, o professor sugeriu a montagem de um memorial no muro a partir de pedaços de mármore. Cada peça teria gravado o nome de escravos mortos durante a Revolta das Vassouras, no século XIX. A extensa lista contempla nomes como “Simplício”, “Agostinho”, “Desidério” e outros tantos que fazem menção aos combatentes. O elemento virou um ponto de encontro para a abordagem de explicações pertinentes à época.

A vivência se estende para outros espaços escolares. Uma sala da escola aloja elementos que ilustram a vida dos escravos e também resgatam a cultura africana. Comumente, a turma é posta em contato com objetos que relembram a história negra, como, por exemplo, os grilhões – objeto que limitava os movimentos dos escravos.

Outra sensibilização partiu da criação de um jardim temático. Os alunos foram estimulados a pesquisar espécies vegetais que fizeram parte da história brasileira. Os estudantes plantam canela, noz-moscada, café e outras mudas e as acompanham ao longo de seu desenvolvimento. Para dialogar com a temática, os alunos ficam em contato com a planta por 60 dias para que tenham a noção do tempo em que um navio negreiro demorava a chegar no Rio de Janeiro quando partia de Angola.

Apoio da comunidade

Desde o início, o projeto conta com o envolvimento da comunidade em sua execução. O professor relata o esforço de professores, pais e alunos na compra de materiais, o que já soma 6 mil reais. Houve uma tentativa da direção da escola e de um grupo de docentes para tentar apoio junto à Secretaria Municipal de Educação, mas ainda sem sucesso.

Principais resultados

Luiz Rosa comemora o alcance do projeto. Os estímulos serviram de apoio para um trabalho transdisciplinar na escola. Segundo o professor, cada pergunta dos alunos permite uma abordagem diferenciada. Por exemplo: é possível simultaneamente explorar o desenvolvimento dos vegetais, resgatar a história dos negros escravos ao acompanhar o desenvolvimento das espécies e mesmo treinar a grafia correta de cada vegetal.

Ainda segundo o educador, os alunos mudaram a postura. Além de mostrarem mais interesse nas disciplinas, sentem-se mais à vontade uns com os outros, e claro, renunciaram o uso de apelidos pejorativos.

Início e duração: 2009 até os dias atuais
Local: Jardim América, zona norte do Rio de Janeiro.
Responsáveis: Luiz Rosa e corpo docente da Escola Municipal Herbert Roses
Envolvidos e Parceiros: Estudantes e familiares dos alunos.
Financiamento: O projeto recebe ajuda da comunidade – professores, pais e alunos.
Materiais e publicações:

Confira reportagem realizada pela Repórter Brasil:

Contato:
Escola Municipal
Fone: (21) 3855-9093
Facebook: Escola Municipal Herbert Moses

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