Escola estimula interdisciplinaridade e aposta em cursos voltados ao mundo digital

Publicado dia 12/04/2016

O Colégio Estadual José Leite Lopes no Rio de Janeiro adota uma estratégia que muitos podem considerar ultrapassada, mas que tem sido um instrumento fundamental para aumentar o grau de interdisciplinaridade entre as disciplinas. A cada bimestre os professores se reúnem e apresentam um plano de aulas e colam nas paredes quais temas irão abordar.

Esse método bastante simples tem ajudado a incrementar a interdisciplinaridade. Se um professor de Física, por exemplo, sabe que seu colega de História abordará o estudo da Revolução Industrial,ele pode ensinar aos seus estudantes como era o funcionamento das máquinas da época, o professor de Português pode explicar qual a literatura do período e assim por diante, envolvendo as mais variadas disciplinas.

“Tentamos compartilhar os planos de aula por meio de e-mail, pastas compartilhadas e de diversas outras formas consideradas mais modernas, mas o que funciona mesmo mesmo é colar os planos nas paredes. Os professores passam todos os dias e visualizam muito mais o que está sendo ensinado pelos outros”, afirmou a diretora do José Leite Lopes, Ana Paula Bessa.

Essa iniciativa faz parte de um movimento maior dentro da escola que é a preocupação em manter um ensino absolutamente integrado. Além da coletivização dos planos de aula na parede, os professores fazem juntos a cada bimestre um mapa conceitual que permite uma maior integração entre as áreas do conhecimento.

Os docentes escolhem temas chave que serão abordados pelos próximos dois meses nas mais diferentes maneiras na sala de aula. “Nos definimos como uma escola de ensino médio, integral e integrada”, afirmou Ana Paula Bessa.

Estudantes de todos as idades e cursos tem espaço na grade para desenvolverem projetos próprios

Estudantes de todos as idades e cursos tem espaço na grade para desenvolverem projetos próprios

Parceria

Não é só essa iniciativa que mostra a preocupação em criar um processo de ensino-aprendizagem coeso e coerente. O Colégio Estadual José Leite Lopes era uma escola regular de ensino da rede estadual até que, em 2008, passou por imensa transformação. Mudou de prédio, recebeu investimentos para ter uma infraestrutura melhor por meio de uma parceria e passou a ofertar três cursos técnicos complementares: Programação, Roteiro para Mídia Digitais e Multimídia.

Em 2008, o estado do Rio de Janeiro firmou uma parceria com a empresa de telefonia Oi

Em 2008, o estado do Rio de Janeiro firmou uma parceria com a empresa de telefonia Oi

A Secretaria Estadual firmou parceria com a empresa de Instituto Oi Futuro e se tornou parte do Núcleo Avançado em Educação (Nave). Além da parceria no Rio, a empresa também tem uma parceria com Secretaria Estadual de Educação de Pernambuco.

A companhia adaptou um prédio seu, no bairro da Tijuca, zona norte da capital do Rio de Janeiro, que estava ocioso.

Ana Paulo Bessa explica que os estudantes se distribuem entre os três cursos técnicos complementares. Os estudantes não escolhem de imediato qual pretendem fazer, mas passam por um processo prévio antes tomar uma decisão.

No 1º do Ensino Médio todos os novos estudantes das escola têm disciplinas de todas as matérias e só depois é que efetivamente poderão escolher qual caminho pretendem trilhar ao longo do 2º e do 3º ano.

“Aos poucos eles vão vendo as matérias e percebendo em quais se encaixam melhor”, explica a diretora. Como a escola não se enquadra, inclusive pelo Ministério da Educação, como de Ensino Técnico, os estudantes não obrigados a realizar estágio para completar uma carga horária obrigatória. Mas foi adotada uma estratégia para que isso não faltasse no aprendizado.

Foi criado um espaço na grade chamado Oficinas Integrada. A ideia é que os estudantes de todos os cursos sentem juntos para desenvolver projetos próprios, orientados por docentes.

“Nesse espaço eles não tem um aula expositiva, mas uma orientação para saber como devem montar e depois executar seus projetos”, explica a diretora da escola.

Ao contrário da grande maioria da escolas da rede pública, os estudantes têm acesso a um espaço com uma excelente infraestrutura. Ao todo são seis laboratórios com 24 computadores em cada um. Em todas as salas de aula o quadro é digital.