Curso virtual para professores contribui com a erradicação do trabalho infantil

Publicado dia 18/11/2013

Iniciativa: ECTI – Escola no Combate ao Trabalho Infantil
Pública ou Privada: 3º setor

Discutir o papel da escola no combate ao trabalho infantil e oferecer um aprimoramento dos conhecimentos sobre o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Esses são os principais objetivos do curso Escola no Combate ao Trabalho (ECTI), iniciativa da Fundação Telefônica em parceria com o Centro de Empreendedorismo Social e Administração em Terceiro Setor (Ceats) da Fundação Instituto de Administração (FIA).

Outro objetivo geral do curso é contribuir com a efetivação da Lei 11.525, que, desde 2007, incluiu no currículo do ensino fundamental conteúdos que tratam dos direitos da criança e do adolescente. A proposta é que a capacitação, que conta com a mediação de especialistas em educação e em temas relacionados ao ECA, ajude a fortalecer uma cultura de respeito aos direitos humanos nas escolas públicas, especialmente no que diz respeito ao trabalho infantil no Brasil.

Funcionamento

Virtual, o curso é direcionado a professores da edução infantil e do ensino médio e fundamental, com especial atenção a este último grupo. Sua estrutura se divide em seis módulos que totalizam 60 horas: Aspectos históricos dos direitos da criança e do adolescente e suas relações com a exploração e aceitação do trabalho infantil; Princípios do ECA e dos direitos da criança e do adolescente; Questões fundamentais sobre o trabalho infantil; A ação do Sistema de Direitos da Criança e do Adolescente (SGDCA) no Combate ao Trabalho Infantil; A Participação e o Protagonismo Infantojuvenil no Combate ao Trabalho Infantil; Projetos Pedagógicos em Ações Relacionadas ao Trabalho Infantil.

“Existe em nossa sociedade uma aceitação do trabalho infantil, uma cultura de que o trabalho é um benefício para a criança. A ideia é mudar essa percepção”     Propercio Rezende, coordenador do curso

As diferentes temáticas são exploradas com o apoio de ferramentas de educação a distância como vídeo-aulas, bate-papos e fóruns. Espera-se que, a partir dos subsídios, os professores não só criem materiais pedagógicos sobre a temática como compartilhem suas experiências, fortalecendo, assim, o trabalho em rede. Além dos recursos da própria plataforma, os participantes podem ter acesso a informações relacionadas ao tema no site Promenino, também da Fundação Telefônica.

Ao final do curso, em caso de desempenho igual ou superior a 70% nas avaliações online dos 6 módulos, os professores recebem certificado de participação da Faculdade FIA de Administração e Negócios, mantida pela Fundação Instituto de Administração (FIA).

Principais resultados

O curso é oferecido semestralmente e disponibiliza um total de 6500 inscrições e entre 4 mil e 4500 docentes terminam a formação. Desde sua criação, em 2012, a iniciativa já formou aproximadamente 7 mil professores.


Este vídeo foi produzido por um dos integrantes do ECTI.

Segundo a coordenação do curso, os professores passaram a se preocupar mais com a questão e alguns alunos passaram, então, a perceber que eram vítimas do trabalho infantil ou a reconhecer a exploração em colegas de classe.

De acordo com os educadores que participaram da formação, o curso possibilitou que entendessem melhor a realidade social brasileira e os prejuízos do trabalho infantil na formação da criança e do adolescente; também foi possível descobrirem os sinais para identificar as violações e possíveis caminhos para encaminhamento dos casos junto ao Conselho Tutelar e demais órgãos responsáveis.

Na prática

Descendentes do trabalho infantil

Por Yuri Kiddo, do Promenino

Foi numa escola em Fortaleza que o professor Abadias Saraiva aplicou uma pesquisa após realizar o curso e identificou que o trabalho infantil é uma situação que permeia de geração para geração. Ao todo, 41 crianças e adolescentes tiveram aulas sobre trabalho infantil e, em seguida, aplicaram a pesquisa a seus pais e avós.

“Uma parcela dos pais ou mães, avôs ou avós entrevistados trabalharam antes do 16 anos de idade, para garantir a sua sobrevivência. Apesar de admitir que foi bom trabalhar antes dos 16, concordaram que o trabalho nessa idade não lhes trouxe nenhuma vantagem ou benefício particular às suas vidas”, explica.

Ainda sobre a pesquisa, o maior percentual dos participantes são a favor de que uma pessoa só deve começar a trabalhar a partir dos 16 anos de idade e afirmaram que o estudo se constitui numa atividade mais importante do que o trabalho.

Para o professor, o resultado da tarefa foi e continuará sendo muito proveitoso, pois pretende continuar a trabalhar a temática do trabalho infantil de forma permanente em suas aulas. “A criança e o adolescente são seres que precisam de cuidados especiais”.

Entretanto, Saraiva lamenta que ainda exista, e de forma tão presente, essa realidade. “Milhões de crianças e adolescentes trabalhando diante dos nossos olhares e jogadas na vida, enfrentando de forma precoce uma luta árdua, cruel e penosa pela sobrevivência”, relata.

“Muitos não estudam, não têm direito a lazer, a um lar digno e são jogados à sorte, sem sonhos e sem perspectiva alguma de vida futura. Que isso é ilegal, todos sabem, mas poucos ou quase ninguém faz algo para mudar essa triste e vergonhosa realidade, projetada como uma mancha infame na realidade brasileira”, conclui.

Materiais e Publicações

Acesse aqui alguns dos trabalhos (metodologias pedagógicas e sugestões de atividades) produzidos pelos professores.

Contato

Site: http://ecti2.fundacaotelefonica.com/

Facebook: A Escola no Combate ao Trabalho Infantil – ECTI

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